Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Valeu Zumbi!

Vila Isabel
Enredo: Kizomba, a festa da raça

Valeu Zumbi!
0 grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu
Ôô ôô nega mina Anastácia não se deixou escravizar
Ôô ôô Clementina 0 pagode é o partido popular
0 sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição
Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o apartheid se destrua

Nunca um feriado caiu tão bem quanto este, nessa sexta feira - pior dia da semana pra mim. Eu, a nível de pessoa negra, estou muito feliz com este feriado.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Selo da Dolores Soledad

Ganhei o selo “Um pouco de mim em cinco revelações da Dolores Soledad do lindo blog Vida Vintage. Demorei a escrever, escrevi e perdi o texto, mas aqui está - tardo mas não falho.

As regras do selo são:

1- Seguir as regras.

Hahaha. É, eu não costumo seguir regras de selos e correntes, mas vou tentar.

2- Levar o selo que identifica quem está, esteve ou estará na brincadeira. Este selo aí no começo da postagem.


Como eu não coloco selo de ninguém – apesar de ficar muito honrada com os que me dão – acho que seria injustiça com as outras pessoas colocar apenas este. Mas quem quiser ver, o selo é este aqui.

3- Completar as seguintes frases (tá, isso eu faço):

a) Eu já...


Muitas coisas.


Saí da Veja, ao lado do Itamar Franco; apareci no show do Guns no segundo Rock in Rio no ombro do meu irmão, bêbada, aos 14 anos; roubei balinha na Loja Americana; acreditei em coisas nas quais não acredito; achei que nunca terminaria a faculdade; fiz mestrado e doutorado; achei que seria atriz; achei que seria jornalista; achei que não seria nada; achei que eu sabia muitas coisas.


b) Eu nunca...


Muito mais coisas.

Traí ninguém. Cheirei cocaína. Usei heroína. Fumei crack. Beijei mulher. Fiquei grávida. Quebrei ossos. Fiz cirurgias. Fui internada. Fiz canal no dente. Fui à Ásia à Oceania e à África.


Bobinha eu, né? Praticamente a Sandy. No fundo eu sou muito bobinha. No raso também.


c) Eu sei...


que eu tenho a tendência a me levar pro buraco. E eu preciso lutar contra isso todos os dias da minha vida até o fim dos meus dias.


d) Eu quero...


Um amor.

(Corinho: owm!!!! Sandy! Sandy!)

e) Eu sonho...

Em me tornar uma escritora em tempo integral e viver só de literatura.


Agora tem que indicar pessoas pra fazer isso, mas, como sempre faço, passo aos meus leitores que quiserem responder, na caixa de comentários – ou mandar por e-mail: carriewhiteaestranha@yahoo.com.br

Domingo, Novembro 15, 2009

Diga tlinta e tlês.

O churrasco foi ontem, mas o aniversário é hoje. Muito obrigada a todos os comentários fofos. Minha festa foi ótima - depois posto as fotos. Cansada e meio de ressaca ainda. Hoje ainda fizemos mais um pouco, mas ainda assim sobrou coisa pra cacete.
Muitos amigos queridos e parentes. Muitos presentes legais. Muito feliz.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Será que dá?

(longnecks esperando deitadinhas no freezer, mais algumas ainda pra gelar, mais uma bomba de pinga que tá vindo de Andrecity...acho que dá)
Mega churrasco de aniversário amanhã (mas o aniversário é só domingo). Quem não vier vai perder. Tudo pronto a espera dos convidados!

E eu ainda tenho que dar aulas hoje até às dez. Saco. Queria me jogar nesse freezer e esperar o povo que já chega hoje.


Domingo, Novembro 08, 2009

Alinne Moraes ontem: “I caaaan’t! I caaaaan’t”. Hahahaha...(é que ela acidentou na Jordânia, então foi pra um hospital em que só falavam inglês. Nossa, acho que numa horas dessas eu esqueceria meu parco inglês).

Taís Araújo: “já fiz não sei quantas promessas pra não ter acontecido nada de grave com a Luciana”.

Formiga Irmã: “promete nunca mais fazer novela do Manoel Carlos”.

Eu até gostava da Taís Araújo. Só achei meio escroto ela ter dado várias entrevistas dizendo que “não é importante o fato de ser a primeira Helena negra. A importância é ser a primeira Helena jovem”. Tudo bem, ela não é obrigada a levantar bandeiras de movimento negro, mas eu acho que ela podia ao menos reconhecer sim que é a primeira Helena negra e a primeira protagonista negra no horário nobre da Globo em quarenta anos de teledramaturgia e isso merece ser destacado. Pela primeira vez na vida temos duas protagonsitas negras: ela e a Camila Pitanga, na novela das seis. Num país onde metade – no mínimo – da população é negra, não reconhecer que isso é um progresso do ponto de vista social é, na minha opinião, feio.

Formiga Irmã falava sobre como toda Helena do Manoel Carlos além de mala faz merda. Se lembram daquela de Por amor, feita pela Regina Duarte, que troca os bebês? Reloooou? Trocar o bebê morto da filha pelo vivo dela, estragando o relacionamento com o marido (Antônio Fagundes) e apenas postergando um sofrimento que viria mais cedo ou mais tarde não é uma atitude por amor. É por burrice mesmo. E aquela da Carolina Dieckamn com Leucemia que a Vera Fischer desiste do Gianecchini pra em favor da filha? Me poupe, minha gente. A ideia original era a personagem Camila, feita pela Carolina Dieckman morrer e aí então a Vera Fischer pegar o Giane de novo. Mas faltou culhões ao Maneco.

Vamu comibiná, a Luciana é um porre, mas o que é a Helena? “Ligou pra sua mãe?” “Não, não vai pra Jerusalém!”. “Não, não vai pra não sei aonde”. “Faz isso!”. “Faz aquilo!”. Deixa a menina em paz! Quando a Lilia Cabral chegou pra ela com aqueles papos de “minha filha está indo com você”, ela já devia ter dito: “ih, tenho filha dessa idade, não!”. As duas são praticamente da mesma idade e uma tem que cuidar da outra? Agora vai passar a novela cheia de remorso, vai terminar o casamento, vai ter que ouvir desaforo da Lilia Cabral até dizer chega...

Ai, ai. Deixa eu ir lá preparar as provas do segundo bimestre.

Sábado, Novembro 07, 2009

Ida ao jornaleiro

Consegui comprar o segundo número das bonecas e como eu previa a boneca em questão é Marguerite Gautier, a Dama das Camélias, do romance de Alexandre Dumas Filho. O jornaleiro está tentando conseguir a primeira (Ema Bovary) pra mim.

A da semana seguinte vocês não vão acreditar quem é! A Ana Karênina! Nossa amiga, do Clubinho do Livro! (daquelas louca, né? Que acha que porque leu o livro a personagem é dela). É muuuito linda! Russa, com chapeuzinho e tudo! Muito cuti-cuti!!!!

Seguem as fotos:



Olhem a bolsinha, se tem condição! E a mãozinha?



De costas. Olhem o detalhe do vestido.

Só preciso mantê-la longe da minha sobrinha de 3 anos. Quando ela vem aqui ela faz a minha boneca Adriana (Meu bebê da Estrela) cortar um dobrado, como diria mamãe. Bate na boneca, bota na garupa do velotrol...no final a boneca tá quase pedindo arrego. Se você fala alguma coisa ela grita: “minha boneca de paaaaaano!” (como ela vê muito Sítio, creio que ela acha que todas as bonecas são de pano, como a Emília). Depois a Adriana vem me relatar os maus tratos, ameaça pedir as contas e ir embora...Ainda bem que ela não vê graça na Peposa.

E por falar em banca de jornal, chegou a Bravo! deste mês que traz um perfil completo do Rubem Fonseca, na qual eu contribui humildemente com uma entrevista – pra quem não sabe, minha tese de Doutorado, em História, é sobre o Rubem Fonseca, sua atuação política e sua literatura. O jornalista que fez a matéria me ligou e tivemos uma longa conversa de 1 hora. Claro que saiu meio parágrafo com as coisas que eu disse e mais umas 3 linhas em outro lugar, mas a matéria não era sobre mim. Fiquei bem nervosa de dar minha primeira entrevista, com medo de falar merda sobre um assunto que eu gosto tanto e mais: com medo dos jornalistas deturparem o que eu disse (a Nídia, sabe?), ainda mais porque eu mandei minha tese. Mas até que saiu direitinho. Quem sabe não é uma boa propaganda e alguma editora se interessa em editar minha tese? Pra saber quem eu sou é só ler a matéria. Com as dicas acima, não é difícil descobrir quem eu sou lá.

A revista também tem matérias sobre a Clarice Lispector, o Pedro Almodóvar e Villa-Lobos. Realmente a Bravo! é das poucas revistas que ainda dá pra ler no Brasil (daquelas esnobe, né? Porque se comparado a New York...)

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Eu não vou dar conta da Alinne (com dois Ns porque a numerologia mandou) Morais tetraplégica. Não vou. Aí é demais até para mim. Pior que ontem, na hora do acidente, deu uma explosão no poste aqui em frente de casa – exatamente o que fica em frente a minha janela – e acabou a luz. Acho que foi praga do Manoel Carlos. Ou um sinal divino pra eu não me irritar com esse tipo de coisa.


* * *


Frase da semana, dita pela Monique Evans no programa da Luciana Gimenez, após esta lhe perguntar “qual é o seu tipo de homem”:

- Querida, do jeito que eu estou encalhada, eu não tenho tipo de homem. É o homem que aparecer.

Me escangalhei de tanto rir.


* * *


Pergunta da semana, dita pela Marília Gabriela (jura que vocês acham ela inteligente?) à Fernanda Lima:

- Apesar de tudo que você conquistou, ainda tem uma tristezinha no olhar, um quê de alguma coisa faltando...

E o mais bizarro é que nego responde a sério, né? Tipo, ninguém nunca deu uma de doido e disse: “que porra de pergunta é essa, ô maluca?” ou “cê tá de sacanagem, né?” ou alguma mais constrangedora do tipo: “segundo Lacan, o sujeito se constitui a partir da falta. Você realmente acredita que alguém possa ser completo?”. Mas não. Nego responde a sério.

Mas o melhor de tudo foi Formiga Irmã entrando no meu quarto, me vendo assistir ao programa e dizer:

- Formiguinha (Formiguinha é esta que vos fala, porque não basta humilhar com um apelido que me diminui enquanto pessoa física, tem que ser o diminutivo deste apelido. Às vezes é Minúscula ou Única Formiga Falante do Mundo ou simplesmente Única. Mesmo eu sendo a maior de nós), será que isso tá te fazendo bem? Você detesta a Fernanda Lima, detesta a Marília Gabriela e detesta programas de entrevistas (sim, eu odeio programas de entrevista em geral, porque simplesmente eu não acho que possa existir tanta gente assim inteligente no mundo para responder as perguntas e principalmente para fazer as perguntas, então não importa se é o Roda Viva ou o Jô Soares, eu não suporto programas de entrevista. Além disso, odeio descobrir que um ator/artista/pessoa que eu adorava pelo trabalho é um completo imbecil na vida real), por que você está vendo isso?

- Não, nem tá me irritando. Acho que eu to tão mal que nem me irritando isso tá – respondi.


* * *



Eu quero muito, muito, muito e muito a coleção que está saindo nas bancas de bonecas de porcelana que são heroínas da literatura romântica. A primeira foi a Ema Bovary! Mas acabou em ritmo alucinante. Amanhã sai a segunda – que eu ainda não sei qual é – e o jornaleiro disse que não pode guardar pra mim. Quem achar na sua própria cidade, a boneca número 1, me avisa, please?

Ai, eu queria tanto a Ema Bovary! Aí eu ia colocá-la ao lado do meu boneco do Nietzsche e do ET e ia ser tãããão lindo!

Fiquei conjeturando quais poderiam ser as próximas. Se a coleção fosse brasileira eu chutaria a Cecy, Lucíola...mas como eu acho que não é cosia brasileira será que vem a mulher de Dama das Camélias...a do Primo Basílio?

Vou fazer minha coleção e depois coloco aqui.


* * *



EU O-D-E-I-O calor com todas as forças do meu ser. Eu já falei isto aqui? Não esta semana, né? Pois é. Só o vigia aqui da rua, o Neuton, odeia tanto calor quanto eu. A gente fica trocando observações mal humoradas sobre o tempo, quando é que vem a próxima frente fria, que não é possível, que assim não tem condição; aí quando chove a gente fica alegre.

Eu acho calor brega. Coisa cafona. As pessoas – incluindo esta que vos fala – saem por aí com esses vestidinhos de alça florido ridículos. Com essas sandálias que deixam o pé inteiro a mostra. Eu acho pé um negócio extremamente íntimo pras pessoas saírem mostrando por aí. E tem gente que não poupa os outros da visão do inferno que é o próprio pé: chato, com as unhas sem fazer, de cores bizarras, unha grande...

E os bronzeados? Cara, não há nada mais cafona pra mim do que gente bronzeada. Gente tostada, que bem um bacon bem passado. Câncer de pele não existe pra esse povo. Protetor solar? Hein? O máximo que eles fazem é botar um bonezinho ao meio dia. E esse tipo de gente em geral espera o verão pra dar uma clareada no cabelo. Aí vai puxando mecha, puxando mecha, tacando camomila e tostando na praia. Termina o verão preta de cabelo amarelo que nem a avó da Cameron Diaz em “Quem vai ficar com Mary”. Taca uns argolão dourado, vestido de alcinha, sandálida rasteirinha, de anelzinho no dedo do pé (morro de nojo de anel no dedo do pé! Irrrrrc! Me dá quase ânsia de vômito!), bolsa falsificada da Louis Vitton e sai por aí. Ah é: hoje em dia ainda por cima existe esses pós dourados que salientam o bronzeado, aí a pessoa atola nesse pó, taca um blush e sai impunemente pelas ruas.

Esses dias uma aluna que tem um cabelo castanho super bonito chegou cheia de luzes. Pensei comigo: isso! É exatamente isso que o mundo precisa: mais uma loura imbecil.

No calor você não pode passar uma maquilage decente. Escova, nem pensar. Não pode tomar café, chá ou qualquer outra bebida mais forte. O calor não convida a reflexão. O calor só convida a ficar dentro dágua ou debaixo de um ar condicionado. Calor é ótimo na praia. Na piscina. No dia a dia, quando você tem que trabalhar, é um inferno. Mas as pessoas gostam. O cabelo fica um troço elétrico que eu só consigo deixar preso o tempo todo. A pele vira um grude oleoso. As pessoas ficam com aquele aspecto de sujo. Não raro, fedem.

As pessoas vem com esse papo de “verão eu emagreço porque eu não tenho fome”. Hãn??? Verão eu só penso em chocolate derretido, sorvete, milkshake... e como se faz exercício num calor desse? Como?

Eu devo ter sido esquimó na outra vida. Ou quem sabe morri queimada, daí esse horror pelo calor.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

É engraçado a que ponto chegou a constatação de que a “mídia manipula”. Hoje é senso comum dizer que “a mídia manipula”, não apenas se você faz parte, de alguma forma, da produção de conteúdo desta. Costumo ilustrar este fenômeno com uma história que me foi relatada pelo meu primo Serginho que trabalhava no Tribunal de Justiça de BH. Lá existia – e ainda existe – um senhor que servia cafezinhos pelos corredores. Esse tipo que existe em qualquer serviço público brasileiro. Figura lendária, daqueles que foi contratado há zilhões de anos e tem um salário assustadoramente alto para a função que desempenha (mais uma das incoerências do judiciário), divertia a todos proferindo pérolas do tipo “sou apenas um reles cafetino” dentre outras. Mas a minha preferida é a que ele dizia que “a culpa é da Nídia” e o contexto em que ele aplicava isso. Torcedor fanático do Cruzeiro (ou do Atlético, sei lá), mesmo quando o time estava em excelente posição nos campeonatos ele dizia temer o trabalho que a mídia – quero dizer, a Nídia – poderia fazer contra o seu time. “Eu tenho medo é da Nídia. A Nídia pode destruir um time”. Consigo até visualizar a Dona Nídia, senhora gorda, sentada na frente da TV, tricotando, falando mal do mundo e dando telefonemas a todo instante a fim de “manipular”.

Conto essa história nas minhas aulas (apesar de duvidar que alguém entenda) para demonstrar como a ideia de que “a mídia manipula” pode chegar ao mais raso senso comum. Para estudantes de Comunicação a ideia de que a “mídia manipula” é uma verdade tão absoluta quanto a lei da gravidade. Ah é: “a mídia manipula a massa”. Bom – alguns leitores devem estar se perguntando – mas a mídia, de fato, não manipula? Depende. Que mídia? O que é manipular? O que é massa hoje em dia?

Se você ainda acredita que possa se falar em Uma Grande Mídia Maléfica, cujos grandes patrões ficam como titereiros a manipular uma audiência que se apresenta passiva como bonecos inanimados através de grandes fios invisíveis, fazendo com que esta desempenhe a função que ele quer que desempenhe, acho que você parou na Segunda Guerra Mundial, meu amigo. É óbvio que, falando em propaganda de guerra (tanto da 1ª GM, quando a propaganda incentivava as pessoas a se alistar, quanto a propaganda nazi-fascista do entreguerras), houve claramente um sentido explícito de “manipulação” da audiência. Tanto é que a maioria das Teorias da Comunicação surge tentando compreender como a mídia age nas pessoas até como uma forma de prevenção no futuro. Não por acaso as primeiras teorias, como a da Bala Mágica ou Agulha Hipodérmica por exemplo, falavam na informação como “um veneno” ou “uma bala” que era inoculada na corrente sanguínea da “massa” (sempre vista como amorfa, sem vontade própria, passiva, irracional, com características que a aproximam de uma criança birrenta de três anos de idade que nunca sabe o que faz, cabendo aos pais dizer o “certo” e o “errado”), sendo impossível agir contra. Uma vez contaminado não restava mais nada a ser feito: necessariamente o efeito seria o mesmo. É claro que quando se fala nas eleições de 1989 e no clássico debate Lula x Collor, fala-se em manipulação – diversos livros e pesquisas exploram esse assunto incluindo declarações de responsáveis pelo jornalismo na época afirmando que receberam ordens superiores expressas para que o debate fosse editado (depois disso, todos os debates passaram a ser ao vivo). Esse debate, como todos sabem, foi essencial para a derrota do Lula.

Agora, a manipulação pode dar certo e dar errado, né? A Globo também tentou barrar o início do movimento das Diretas Já, afirmando que um comício acontecido em SP em prol do movimento era, na verdade, em função do aniversário da cidade – depois vendo que não ia colar e que o processo de democratização aconteceria de qualquer forma, pulou na frente para sair como a grande defensora da democracia.

Então ao invés de falarmos em manipulação como uma certeza inabalável melhor seria falar em influência. O que também é muito complicado, pois como se mede a influência de determinado veículo de mídia em ações das pessoas comuns? As pessoas estão no mundo, sofrendo influência de tudo e todos e a mídia é parte da sociedade. Como você consegue distinguir: até aqui é influência da mídia, daqui pra lá é influência dos amigos, pais, professores? A não ser que você acredite que todos estão passivelmente sendo influenciados pela mídia e portanto a mídia comanda tudo no final das contas (voltando a ideia de manipulação). A não ser que se crie um influenciômetro é impossível dizer, por exemplo, se os games violentos tornam as crianças violentas – ignorando o contexto em que a criança vive. O máximo que se consegue, com alguma eficiência, é medir a recepção desses produtos. Orientando monografias, 9 entre 10 temas são alunos querendo medir a manipulação ou a influência da mídia em não sei o quê. Até você explicar pro moleque que isso não existe – e, consequentemente ele vai pensar que os 4 anos dele de faculdade foram inúteis (e muitas vezes foram mesmo) – já tá na hora dele defender. Esse semestre não estou orientando, mas já passei por isso.

Outro ponto: o que é “a massa”? Perspectivas do início do século passado tentavam lidar com a massa de forma homogênea, como se ela fosse uma entidade compacta. Em geral, quem fala “a massa” sempre acha que não está nela – e, pior, quase sempre está. O problema é que a audiência se complexificou e não é possível falar mais – se é que algum dia foi possível falar – sobre “a massa”. Como disse um aluno, “a gente ficou mais inteligente, né fessora?”. Inteligente eu não sei, mas com certeza com mais ferramentas para pensar a realidade.

Além disso, o que é a mídia hoje em dia? Ao se falar em meios de Comunicação de Massa até os anos 70 estávamos falando apenas de TV, Rádio, Cinema, TV, Jornais e Mídia impressa. Depois do computador, meu amigo, fudeu. O computador é meio de comunicação? Ou é ambiente de comunicação? Melhor seria dizer “comunicação mediada por um computador”. Depois que é possível a qualquer um com um computador e uma conexão de internet produzir conteúdo, todos podem ser jornalistas. Podem?

Diante de um contexto tão rico e tão complexo, onde audiência e meios são outros, ainda existe gente que fala em “manipulação da mídia”. Existe. E experimente falar em uma turma de Comunicação que a mídia NÃO manipula (não nesse sentido e feito todas essas ressalvas). Falei isso esses dias e me senti como Copérnico falando que a Terra gira em torno do Sol. Foi o único momento em que consegui a total e absoluta audiência da turma – estática e paralisada ante minhas revelações bombásticas.

Aí o próximo argumento é pensar que “então pra quê a gente aprende todas essas teorias ultrapassadas?”. Pra poder entender as teorias atuais, pra não achar que as coisas acontecem em um vácuo temporal, sem antes nem depois. E até pra conseguir enxergar a “manipulação” (com mil aspas) em alguns casos.

O que os alunos – e o senso comum, em geral – não entendem é que é a mídia constrói realidade (e quando você fala isso eles te olham como se você estivesse contando o enredo de Matrix). E isso é diferente de manipulação. Não existem fatos puros e neutros diante do mundo. Não existem veículos neutros, imparciais nem “mais certos” ou “mais errados”. A Veja constrói realidade tanto quanto a Caros Amigos – e, se você quer pensar ainda na esfera de “manipulação”, ambas manipulam a informação segundo sua carga ideológica.

Infelizmente a maioria dos cursos de Comunicação ainda ensina e reforça essa perspectiva. Não só essa perspectiva de manipulação como também uma érspectiva de que existiram “manipulações do bem” ou mais legítimas. Como disse o William Bonner numa entrevista recente não me lembro onde, a maioria dos cursos de Comunicação foca a formação do jovem jornalista enquanto “jornalista de esquerda”. Ainda – completo eu – que na sua vida profissional ele terá 99% de chance de trabalhar para “veículos de direita” (se é que ainda podemos falar nessas divisões). Nada contra ser “jornalista de esquerda” ou “jornalista de direita”, pessoalmente falando. O problema é que as faculdades (e a sociedade de uma maneira geral, mas aqui estou falando sobre ensino de Comunicação) infelizmente ainda imputam julgamento moral a essas duas posições – evidentemente glorificando a primeira e denegrindo a segunda, quando se fosse para seguir o impossível ideal de neutralidade e imparcialidade ambas estariam erradas.

Eu me sinto profundamente frustrada e cansada em dar aulas em um curso e uma profissão no qual eu não concordo com as suas linhas mestras de fundação. E acho tudo isso muito chato.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Blééééé

Sábado, Outubro 31, 2009

Happy Halloween!!!

Abaixo, algumas imagens do melhor Halloween da minha vida. Cold Spring, NY. Casa da Raquel.


E eu achando que o menino tava fantasiado de bichinho da Parmalat! Os caras da Parmalat é que copiaram as fantasias



A grande pergunta é: mamãe também estava fantasiada? De mocréia, quem sabe?



Trick or treat! Trick or treat! Trick or treat!



Halloween é levado muito a sério lá. Coisa de adulto.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Happy Halloween!!!! (noooo, not yet!)

Errei! Achei que o Halloween fosse hoje mas é amanhã.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Gente. O que é Poder Paralelo, novela da Record? Chego do silvisso e vou comer, ligo a TV da cozinha (que não tem Net). Já acabou a insípida novela Global e às vezes está num programa chato na Globo (Formiga Irmã detesta Casseta). Daí a gente bota em Vende-se um véu de noiva, novela da filha do Sílvio Santos ou em Poder Paralelo. A que tiver em uma cena mais bizarra no momento.

Sobre o que é Poder Paralelo? Sobre o improvável, o inimaginável, o perderam-completamente a noção. É sobre a máfia. A máfia italiana. Só que no Brasil.


Oi?

Quer dizer, com um crime organizadíssimo como nós temos, com uma polícia cuja única diferença para com os ladrões é a farda, com histórias bizarras prontas nos jornais todos os dias as pessoas vão buscar inspiração na máfia italiana! Que, cá entre nós, é pinto perto do tráfico brasileiro.

Meu Deus.

Aí pensei e me dei conta do porquê desse absurdo. A Record já tem/tinha um seriado policial que faz/fez sucesso que é “A Lei e o Crime”. Daí eles quiseram permanecer nessa temática, mas não podia invadir o tema do seriado. Daí resolveram colocar a máfia italiana. Eu até pensei que era o seriado da Record, “A Lei e a Ordem” que tinha mudado de nome, virado novela e mudado os atores. Afinal, não podemos esquecer que a Record é a novela dos Mutantes. E a novela onde os Mutantes eram uma novela chamada Caminhos do Coração, cujos personagens eram normais e viraram Mutantes do nada e a novela acabou e ressurgiu como outra coisa – como se emplacassem uma Caminho das Índias agora, só que os indianos fossem todos seres de outro planeta e a novela passasse a se chamar Os anéis de Saturno. Mas não. Se trata mesmo de uma novela cujo plot é “máfia e a espontaneidade do povo italiano”. Acho que o próximo será sobre os samurais japoneses do bairro da Liberdade e daí pra pior.


E as atuações? Cara...é nessa hora que você vê que realmente um diretor faz toda a diferença. Atores outrora bons são vistos em atuações, pra dizer o mínimo, constrangedoras e, no máximo completamente canastronas. O que, em tempos do casal mais sem química que já existiu ocupando o horário nobre da Globo (Helena-Marcos), é um bálsamo. Sim, porque essa novela da Globo é a mais insuportável de todos os tempos. Acho que só minha mãe e o Tio Magno ainda assistem. É ruim demais. Os atores estão trabalhando tão mal, mas tão mal que diz Formiga Irmã que até o bebê filho da irmã da Taís Araújo trabalha mal.

E a mãe da Taís Araújo? Gente, ela já tinha cometido um papel antes em outra novela do Manoel Carlos, se lembram? Ela era a amiga da Sócana (a Santana, personagem da Vera Holtz). Cada vez que ela pegava a Sócana bêbada e ia brigar com ela eu não conseguia distinguir a expressão dela de riso pra de choro. Alguém podia avisar aquela mulher que ela não tema a menor condição de contar nem mentira, quanto mais história e ainda por cima em horário nobre. Bora arrumar outra profissão. Um concurso público, quem sabe?

Não sei o que eu gosto mais em Poder Paralelo: a trama bizarra, o sotaque italiano (acui no Brasile!!!) ou as atuações e diálogos assutadores.

E sabem como se chama o personagem principal? Dom Caló.

Deixa eu ir que um dos filhos do Dom Caló tá na adega da família quebrando todos os vinhos do pai enquanto a família decide se embarca pra Itália (fugindo dos temorosos mafiosos do Brasil) ou se voltam pra casa dele. Quebra não, fio. Bebe. Bebe que é pra esquecer que você tá nessa novela.

É por isso que continuo minha campanha: volta Lídia Brondi, volta!

Sábado, Outubro 24, 2009

Sinto como se estivesse chegando de uma guerra. Tipo, Vietnã. Que eu nem sei por que eu estou ali, os caras são muito mais safos do que eu, se camuflam em meio a vegetação e tão dando um banho na gente – e “lutar contra o comunismo” é uma justificativa tão vaga e longínqua quanto “formar futuros profissionais”. Uma coisa é a parada fazer sentido na teoria. Na prática, é outra história.

E o mais engraçado é que as pessoas realmente acham que eu não gosto de dar aulas. Se eu não gostasse, por que me importaria tanto?

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Mas que espetáculo esse filho do Sarcozy, minha gente! (daquelas um pouco atrasada, né?). Olha isso!. E isso!

Só duas palavrinhas: pegava fácil.

Ele é Hanson do Mal. O Dark Side of the Jonas Brothers. Vem pro Brasil, neném. Aqui nepotismo não dá em nada – o que nem seria o caso.

O que me faz pensar que cada país tem o filho de presidente que merece, não é verdade?


Como diria Formiga Irmã indo deitar ontem à noite (o quarto dela fica na ala leste de Versailles enquanto o meu na oeste): boa noite, Odete Roitman.


* * *


Leitora fez bobagenzinha. (Espero que não fique puta comigo, já que ninguém sabe quem é você, eu posso falar sobre você, sem que ninguém saiba que você é você). Misturou remedinho e foi parar no hospital. Daí eu ligo pra ela, pra ver se tá tudo bem (quero dizer, eu passei torpedo e ela me ligou). Ela nunca tinha ouvido minha voz. Eis que a primeira frase, com a voz ainda arrastada de tanto remédio é: pooooorra, tua voish é igualzinhaaaa a da Anaaa Caroliiiina merrrrrmo.

Pensei em fazer alguma piadinha do tipo não, aqui é a Cássia Eller, mas achei que não seria prudente.

Humor afro-descendente.


* * *


E eu continuo péssima. E, quando a gente pensa, pra ter aquele consolo que amanhã já é sexta, aí é que a coisa piora mesmo, porque sexta é meu pior dia, de longe. Mas vou parar de declarar que gostaria de mandar todo mundo tomar no cu. Não é que eu esteja mandando, perceça a sutil diferença, caro leitor. Eu só queria mandar. Mas vou parar porque Formiga Irmã não gosta. Então não vou mais dizer que eu queria que todo mundo fosse tomar no cu.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Aos interessados...

Eu continuo com vontade de mandar todo mundo tomar no cu. Mas eu juro que não é pessoal. Quando passar eu aviso.

Deus salve a alopatia

Estava com uma vontade incrível de mandar todo mundo tomar no cu. Até escrevi um post nesse estilo Roberta-Carvalho de ser (odeio o mundo, você é um bosta, vai tomar no cu, saí daqui e vão todos à merda), mas aí percebi q esse não é meu perfil. Tomei um remedzinho... zá tá ficando zuzu bem! Zuzu legal. Zozo mundo é legal. Quelo abaçar as avoles, os animais...as pessoas são liiiindas. Voches shão foooooofos. Quelo abaçar todo mundo. Vamos dalum abaço coletivo. Um dois, teis, e...

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Homens e técnicos de informática são sempre iguais – não que técnicos de informática não sejam homens, mas enfim...entenderam.

É sempre a mesma ladainha. Chegam cheio de sorrisos e boas intenções, examinam todo o material, elogiam, digam que é uma máquina muito boa e que não está funcionando adequadamente por culpa dos antecessores que não fizeram uma boa manutenção e um bom trabalho. Que com um jeitinho aquilo vai longe. Aí destampam a falar mal do trabalho do cara anterior – e em geral têm razão sobre o assunto, mas não percebem que eles também vão cometer erros, talvez não os mesmos, mas outros. Talvez ele realmente saiba mais sobre o negócio dos que os predecessores, mas não se trata da salvação – mas eles (e você) acham que sim. Claro que se propõem como solucionadores do caso. Fazem com que apareçam, de forma sutil, suas próprias características como incomensuravelmente superiores aos dos anteriores.

Enrolam ao fazer o orçamento e quando dão te convencem que o preço que te cobram passa a ser então irrisório – por mais estratosférico que seja - tendo em vista os benefícios que você vai receber, pois nesse momento você está completamente convencida de que tudo até então fora um grande erro. Afinal, é como se todos os seus problemas fossem ser resolvidos de uma hora pra outra. Como se tudo dependesse de uma instalação inicial errada, de um problema pregresso que foi sendo empurrado com a barriga através dos tempos. Finalmente a sua vida vai dar certo. Você se pergunta como conseguiu viver tanto tempo sem o cara. De repente o cara tá quase te convencendo de comprar um Windows original. Logo você, que é fã da boa e velha pirataria.

Passado um momento inicial você começa a cair em si. Percebe que os problemas não foram embora tão facilmente. Chama pra uma segunda visita, uma terceira...mas aí vai perdendo a confiança, porque o problema passa a ser recorrente e sempre a mesma conversa fiada e você percebe que ele não era tão diferente assim dos antecessores. E o preço? O preço acaba saindo caro demais.

Aí começam as desculpas esfarrapadas. O material, que anteriormente era de excelente qualidade agora já não é mais o último tipo. Sabe como é, esse tipo de coisa fica obsoleta com muita facilidade. Por que você não faz um up grade de memória (ou de silicone) ou formata tudo, inclusive a silhueta? Ele precisa de espaço, seja ele mais 40 gigas de HD ou sair com os amigos pra beber – e você nunca disse pra ele não sair nem nunca quis instalar aqueles programas suuuuper legais que na prática não lhe serviram de nada e só ocuparam espaço e agora estava sendo punida por um problema criado por ele. Mas, subitamente essas coisas se tornaram um problema. Isso é investimento – ele diz. E aí você lembra que foi exatamente a mesma conversa que você já ouviu quinhentas milhões de vezes.

Como diria uma tia minha (não por acaso solteira): eu vou morrer sem achar um bom cabeleireiro e uma boa costureira. Eu acrescentaria: e eu sem um bom técnico de informática e um bom homem.

Eu sei, eu sou nova demais pra ter esse tipo de pensamento. Mas isso é justamente isso o que mais me assusta. Por que provavelmente não vai mudar.

E ainda por cima o gênio desinstala a porra do caralho do msn. Vai tomar no meio do cu. Viado.

I’m fed up.

Sábado, Outubro 17, 2009

Pedido de ajuda

A minha capacidade de me estressar com as coisas deveria ser estudada pela ciência. E o pior é que são todas situações que eu crio. Claro. Todo estresse é assim. É o peso que você dá as coisas da sua vida e não o que acontece à sua vida. A vida de todo mundo passa por momentos de estresse. Se você vai dar corda pra ele ou não é uma escolha sua. E eu estou sempre escolhendo dar corda. É quase um dom que eu tenho – que é apenas mais uma face do auto-boicote. Tudo se transforma em um enorme problema maior do que já é. Os problemas crescem na minha cabeça.

Até o meu aniversário está impregnado de uma série de problemáticas que simplesmente não me dizem respeito. Aliás, desde que sou pequena que minhas festas de aniversário me estressam. Eu sempre acho que ninguém vai, já que ninguém gosta de mim, já que todo mundo tem sempre algo melhor pra fazer, então pra que dar festas? Aí eu faço a festa e é tudo ótimo, na maior parte das vezes. Ou, se não faço me arrependo de não ter feito.

Eu estou completando mais de um ano de estresse contínuo e profundo. Primeiro foi a ida pra NY – que foi um estresse bom, mas um estresse. Não saber se ia dar tempo de arrumar todos os documentos pra ir, ter que lidar com prazos e burocracias de consulado e universidade, ver lugar pra morar, não saber se o dinheiro ia dar, pensar no que fazer...foi muuuuito, muuuuito estressante. As pessoas não imaginam. Pensam: “ah, indo pra NY e achando estressante!”. Não imaginam. Ir morar é bem diferente de ir passear. Depois, lá, foi tudo bom e valeu muito à pena. Mas aí passou muito rápido. Teve a volta. Aí teve a “novela defesa”. Muito, muito ruim, muito estresse. Consegui, defendi. Aí arrumar emprego. Consegui. Novo emprego. Estresse, estresse, estresse. Concursos, pau. Constatação de que não ia dar pra ficar fazendo concursos esse semestre: estresse. Ter que escolher entre as coisas: estresse.

Meus amigos me estressam. Eles brigam comigo por motivos que eu desconheço e eu preciso ficar correndo atrás e me explicando por algo que eu nem sei o que foi. Eu estou sempre em falta com todo mundo – e ai de mim se cobrar alguma coisa de alguém.

Eu passo todas as horas do meu dia, todos os dias da minha semana pensando no futuro.

Eu estou sempre em falta comigo mesma. Eu não tenho um minuto de paz na minha vida.

Todo mundo tem palpites sobre a minha vida. Menos eu.

As pessoas têm palpites até sobre o meu blog.

As pessoas que não respondem meus e-mails me estressam.

Eu tenho vontade de enfiar a porrada em todo mundo. Tenho vontade de botar uma placa do meu pescoço escrita “volto já” ou “não me olhe, se tem amor à vida”. Esses dias um carro – uma kombi, daquelas bem populares, de algum serviço - passou por mim na rua e o cara ficou com aquela cara de babaca me olhando e rindo e eu simplesmente fiz um gesto obsceno para ele, como quem diz “tá olhando o quê, palhaço?” – coisa, esta, que está completamente fora do meu cotidiano. Eu tenho reações despropositadas para as coisas, mas, quando vi já foi. Eu choro por tudo e nada. Eu choro lendo texto teórico. Eu vivo num constante e interminável estado de TPM. Eu entendo pessoas que dizem que de repente não se lembram de nada e só se deram conta quando já estavam sujas de sangue. Se eu cometer algum crime nos próximos dias esse post poderá ser usado como prova de premeditação pela promotoria.

Sinceramente eu não agüento mais. Mesmo. Sério.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Piada interna

Já sei! Vou casar com o Bruno e viveremos pescando. Só falta avisar pra ele.
Bruno rules. É minha nova meta de vida.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Planos para o futuro

Se eu conseguir economizar 2.000 reais por mês, em dez anos eu terei 240.000. Tendo em vista que não preciso comprar carro, não preciso casar, não preciso de filhos, não preciso de apartamento e que posso morar num quarto e sala, de aluguel, eu peço demissão, aplico esse dinheirinho num fundo de renda fixa e vivo com isso o resto da vida, o que vocês acham? É viável o meu plano? Daí quando eu tiver que preencher formulários eu escrevo "profissão": "rendas". Viverei de rendas.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Essa noite acordei com galopes de cavalo (pocotó, pocotó, pocotó). Achei, em primeiro lugar, que poderia ser o meu príncipe, finalmente ressurgido do coma de 12 anos, depois achei que deveria apenas ser um delírio meu, mas hoje confirmei com mamãe. Era um cavalo. Um cavalo desempregado, como diria meu irmão quando era pequeno. Galopando pelas pradarias de Versailles.

(Não me esqueço dom olhar de espanto da Karen, ao passear pelas ruas do bairro e dar de cara com um cavalo).

Quando não é isso é o novo vigia da noite que insiste em apitar na minha janela. O sistema de vigilância da minha rua é a coisa mais bizarra que se pode ter notícia. É o tipo de vigia que se houver um assalto estamos todos fritos, pois eles serão os primeiros a dar um trabalhão danado. Um dos vigias é da terceira idade e gago. Quer dizer, nem pra gritar socorro o cara serve. O outro deve pesar uns 34 quilos, parece o Russo e tem o cabelo do Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. O único confiável é o Neuton, (assim mesmo que escreve), negão gente boníssima cujo café da tarde fica a cargo de nossa residência. Já houve diversas polêmicas sobre os vigias, se eles deveriam andar armados (imagino os gênios atirando no próprio pé, literalmente), se era preferível fecharmos a rua com uma cancela (o que gera toda uma problemática de ter que arcar com as despesas de conservação, já que aí não é mais responsabilidade da prefeitura), eis que venceu a teoria do apito. Isso porque o resto do bairro tem um sistema de vigilância diverso (adoro caminhar e ver as plaquinhas “nós pagamos pela nossa segurança” e pensar na eficácia do método: o ladrão vindo assaltar e pensando: “ah, não. Eles pagam pela segurança, vamos pra outra vizinhança”). Aí entrou esse vigia novo querendo mostrar silvisso, coitado. Anda de um lado pro outro, de bicicleta, apitando a plenos pulmões. Nessa época de chuvas como a gente tem tido e o cara passa de bicicleta, se equilibrando com uma capa de chuva amarela e um apito.

Se isso evitasse assaltos, vá lá. Mas nem isso – há pouco menos de 2 meses tivemos um na casa quase ao lado da minha. Sem contar que nem todo mundo da rua entra na vigilância. Aí o cara faz o quê? Fecha o olho quando passa nas casas que não pagam?

* * *


Primo Poeta me corrige: o e-mail dele é avecesarjf@yahoo.com.br. Pra quem quiser os livros de poesias dele. Não bastassem todos os outros erros que eu cometi no post, errar o e-mail é sacanagem.

* * *

Tô de feriado hoje. Anteciparam o dia 15. Senzala em festa, tudo batendo tambor.

* * *

Às vezes eu queria ser freira. Sério. Aliás, eu quase já sou. Só teria que cortar os palavrões e o cabelo. E me controlar pra não falar mal do bispo.

Como diria Formiga Irmã em um de seus muitos momentos de delírio sobre a minha pessoa: "minha Formiga só teria a acrescentar em qualquer área de conhecimento". Minha irmã é o meu Pink. Eu digo: "Vamos, Pink! Vamos dominar o mundo!" E ela já está de baioneta em punho, dizendo: "Vamos!!! Você é o máximo, Cérebro!".
* * *

Um dia as pessoas ainda vão realmente se surpreender comigo. Mesmo. Não essas surpresinhas do cotidiano, do tipo: "ah, passou pra isso, conseguir aquilo". Nãããão. Mas surpresas grandes, enormes. Diferentes de tudo aquilo que eu dava sinal. Os que me conhecem pouco dirão: mas eu nunca podia imaginar...


* * *

Cada vez é mais maçante conviver com certas pessoas. Outro problema que a vida religiosa solucionaria. É, mas a vida religiosa não deve ser fuga, mas opção, eu sei.

* * *


Freira não precisa depilar, pode andar com qualquer roupa (aliás, quanto mais simples, melhor), não precisa pintar o cabelo, pode engordar à vontade, faz altas viagens, ajuda os outros, estuda à beça, mora de graça e ainda não tem que responder questões desagradáveis sobre namorado, marido, filhos e emprego.

Quase tudo eu já faço, é verdade, mas eu ficaria mais à vontade.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Pooky, le petit ours

Seguem as fotos e legendas do Fábio.

Oi Carrie.. Aproveitando a onda de divulgação de nossos amiguinhos, seguem as fotos que tirei de Pooky, um amiguinho que arrumei quando estava estudando em Paris, há dois meses. Achei que só eu tinha esta mania de fotografar bichinhos...

[Não, Fábio. Sempre que a gente acha que temos um hábito muito maluco, pode se ter certeza de que sempre tem gente muuuuito pior].


Pooky em seu habitat natural.



No Arco do Triunfo


Observando o movimento em La Concorde.


Na Ópera de Paris


Dando uma passadinha por Bruxelas....



.... e Amsterdam.


Querendo conhecer o Moulin Rouge.



No Museu do erotismo... Safadeenho...


Sábado, Outubro 10, 2009

Maricota, a porquinha











Olá Carrie, consegui convencer Maricota a posar para mim. Foi difícil. Acabei pegando ela meio desprevenida, saindo do banho. Envio para você enquanto ela está aqui ao lado, reclamando que nem deu para passar um batonzinho. A vida de Maricota é atribulada. Ela é mãe de duas pestinhas, Alejandro Augusto e Juanito. Os dois não dão sossego para minha pobre porquinha. Ah, Maricota manda lembranças para você e Peposa. E fala para Peposa aproveitar bem a vida de ursa solteira. Beijos, Dolores.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Negão


Negão veio do Japão só pra provar que bichinhos de pelúcia não precisam ser fofos, podem ser feios e pretos.
Companheiro de mil aventuras, hoje fica largado na poltrona, mas não fica só acumulando pó, é guardião de lindo colar de barbante de palha que precisa ficar estendido senão deforma. Desde então, descobriu nova vocação: crossdresser.
Da leitora Alice (que não é a Maria, nossa Branca de Neve). Que eu não sei se tem blog.

Leitores sanguinolentos do mundo, uni-vos!

Aos que atenderam meu chamado no Twitter e pra quem tá chegando aqui agora: preciso de informações básicas sobre as séries/livros Crepúsculo, True Blood e Vampire Diaries pra um trabalho que estou escrevendo. Vamos lá:
1) Alguma dessas tem games inspirados nela?
2) O livro que inspirou True blood tem tradução em português?
3) Preciso de links fáceis e rápidos pra baixar True Blood. Alguém me indica? Tenho 0 de intimidade com baixamento de séries pela internet e não me venham com coisas complexas.
4) Impressão minha ou True Blood é infinitamente superior a Twilight? (calma, calma...eu nunca li nenhuma delas...amigo, amigo...) Pelo menos a primeria é mais adulta?
5) Vocês participam de alguma comunidade de fan fiction? Quero dizer, vocês escrevem fan fiction inspirado nessas narrativas ou conhece quem faz?
Sim, sim, eu estou vasculhando a internet, orkut, etc, mas é sempre melhor uma opinião quente e fresca. Sem trocadilhos.
Obrigada desde já.

Mais perguntas:

6) E essa acusação da autora de Vampire Diaries, L.J. Smiths, de que Crespúsculo seria uma cópia de VDs? Procede ou apenas tentativa patética de auto-promoção?

Wilson, o sapo.

Silvana me manda fotos de Wilson, o seu sapo. Como disse a Silvana, quem sabe a Peposa beija o Wilson e ele vira um Príncipe? Ou melhorseria: um urso!
Wilson lendo Flaubert. Notem como so óculos ficam ótimos em Wilson!

Wilson lendo o livro da Fal, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite.

Wilson, simplesmente Wilson.

Você também tem bonecos com quem conversa? Não, né? Você é normal né, leitor? Passou da fase, tem mais o que fazer da vida, emprego estável, mulher/marido, filhos(as). Tá certo. Mas caso queira mandar a foto de seus bonecos(as) em momentos únicos de lazer e descontração, mande pra cá: carriewhiteaestranha@yahoo.com.br

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Porque me ufano de meus primos

Anteontem foi aniversário do meu Cosnis querido do coração (como todos os meus primos por parte de mãe o são), pai do João Fanquico e do Irmão. Mas quem recebeu presente fomos nós. A antologia de poemas intitulada “Uma viagem pra Pasárgada” chegou aqui em casa, pelo correio. Trata-se de concurso promovido pela Editora Litteris (a mesma que publicou os dois livros de poesias dele), em homenagem a Manuel Bandeira. A ideia era escrever poemas com a temática de “Pasárgada”. Teve premiação de 1º, 2º e 3º lugar e alguns contemplados com a publicação. A poesia de Júlio entrou nesta leva. Os primeiros lugares, como sempre são os primeiros lugares, são bem ruinzinhos. Segue o de Júlio:


Pasárgada em mim
(Júlio César Meireles de Andrade)

Quisera pertencer àquele lugar
inteiro, completo
viver ali

mas somente fragmentos existem
e, fragmentos, sabemos,
são inabitáveis

e, por alguns segundos,
descendo a Rua Direita [1],
pararia defronte àquela vivenda
e meus olhos descansariam
na beleza do solar [2]

entraria

pelo silêncio dos corredores
conduzido até a cozinha
e ali estaria mãe-madrinha
contando causos da revolução [3]

caminharia

até o Largo da Liberdade
onde a poeira e o frio
não impediriam minhas lágrimas
ao ver, na Collectoria,
com seu terno impecável,
João e sua Cruz [4]

Choraria

e, no Largo do Rancho [5]
esperaria por um espetáculo
do circo de cavalinhos São Paulo [6]
que sequer começaria
devido à fúria de um anspeçada [7].

Tudo em seus devidos lugares,
menos eu.

Todos em seus devidos lugares
observariam, apenas.
minha passagem.

Uma passagem rápida,
lampejo de memória,
seria,
mas com a intensidade
necessária
para que Pasárgada,
em mim,
Permanecesse para sempre.


Notas explicativas (certa de que devo estar cometendo erros e levarei esporro dos parentes mais velhos, seguem pequenas explicações para melhor compreensão do poema):

[1] Como era chamada a hoje Avenida Getúlio Vargas de Andrelândia (MG) - a parte dela que desce.

[2] Sobrado que outrora pertencia a nossa família, depois passou para as mãos da família do Júlio por parte de mãe e hoje é a Fundação Guairá.

[3] Depois de algumas discussões chegamos a conclusão de que a mãe-madrinha deve ser a Tia Ozenda, minha tia-bisavó, mas isso só o poeta poderá dizer. Na “Revolução” de 30, seu filho, Hermógenes Queiroz, foi morto ao ir buscar remédio para o pai, Lindolfo, que havia sido atingido por um tiro da polícia mineira. Dizem que o tiro que acertou Hermógenes era, na verdade, para o meu tio Getúlio, ferrenho Caranguejo (Andrelândia é dividida, até hoje, em dois únicos partidos: os Caranguejos e os Veados, mas isso é assunto pra outro post e também não sei quem estava do lado de quem na "Revolução"). Minha família é toda Caranguejo. Que historicamente está situado mais ao centro-direita (daí o nome, porque "andam para trás" e não querem as mudanças que vem ao passo do Veado - e os Veados são mais centro-esquerda). Hoje, como todo e qualquer partido político é tudo rigorsamente a mesma bosta (prontofalei).

Dizem também – mas aí já é lenda, eu acho – que Hermógenes, no dia de sua morte, pegou um retrato dele e dos irmãos e puxou uma seta de si mesmo e escreveu: “eliminado do mundo dos vivos”. A foto existe até hoje e o escrito idem. Mas eu acredito que provavelmente foi alguém que escreveu depois do ocorrido. Na grande mesa de madeira que até hoje é usada na copa da casa das minhas tias há as iniciais de Hermógenes marcadas de canivete, já que essa mesa ocupava o Sobrado.

[4] Nosso avô, João da Cruz de Andrade, que nenhum de nós conheceu, pois morreu em 1964 com 77 anos. Na mesma revolução Vovô foi obrigado a assinar sua demissão do cargo de coletor federal sob a mira de uma carabina. Demissão, esta, que posteriormente foi revogada. Ele e minha avó se exilaram em uma fazenda em razão dos tumultos na cidade. Não se sabe se pelas tensões passadas, a primeira filha de vovó nasceu morta. O segundo viveu 6 meses apenas e no dia em que morreu a marca de suas mãozinhas permaneceu ainda no espelho e não foi limpa até desaparecer. O terceiro vingou. Foi meu tio Guido. Daí em diante todos os outros vingaram.

[5] O Largo do Rancho era conhecido dessa forma porque era ali que os Caranguejos davam um “rancho” aos seus correligionários – matava-se bois, ofertados pelos fazendeiros, e servia-se pão com carne. Onde hoje é a praça João Zuquim, que vem a ser onde fica a casa das tias. o rancho foi transferido pro bairro do Areão.
[6] Ia ter um circo na cidade no dia em que Hermógenes foi morto.
[7] Anspeçada: V. hierarquia militar. Militar que detinha a posição hierárquica de anspeçada. No túmulo de Hermógenes durante muito tempo ficou escrito: "morto pela fúria da polícia mineira". mas aí chegou um juiz mala e pediu autorização pra família pra retirar, pois estava maculando a imagem da insituição.
Hãn-hãn? Pegaram? A Pasárgada dele é um lugar onde ele nunca esteve, no reino das memórias não vividas. A-há, muleke! Bonito demasssss!

Mas o melhor foi a dedicatória.

“Para as queridas tia Malu e primos(as), fragmentos da nossa história e, completo, o meu amor”.

Luxo. Isto é glamour, com diria Ingrid Guimarães.

E por falar em glamour você já comprou o segundo livro de poesias dele? Nãããããão? Não acredito! Júlio tem por hábito mandar seu livro pra todos os grandes poetas. E o mais impressionante: eles respondem! Já recebeu elogios de vários, mas que eu me lembre e tenha visto: do Carlos Nejar, do Ferreira Gullar e do Afonso Romano Sant’anna. Falei pra ele escanear e botar no blog, fazendo propaganda, afinal, nós não temos parentes importantes (e somos vindos do interiorrrr) pra sermos citados no Prosa & Verso, então essa é a forma de divulgar. Mas aí ele olha pro lado, aperta os olhinhos e diz: “ai, ai”, como quem diz: “carece, não”.

Citei aqui algumas poesias por ocasião do lançamento Voo eu recitei durante o evento de lançamento.

O bicho é tão leso que não bota nem o link pra vender o livro no blog. Segue: clique aqui para comprar o primeiro livro
ou aqui para o segundo.

Ou então escrevam pra ele e recebam o livro autografado:
avecesar@yahoo.com.br.

A pessoa é poeta, dêem um desconto.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Peposa sob vários ângulos.



Peposa em um momento leitura.

Impaciente diante do meu assédio, mas ainda tentando ignorar.
Ok, Carrie, você venceu. O que foi?

Momento de descontração total.



Domingo, Outubro 04, 2009

Conversas nonsênsicas com Formiga Irmã


(Ou: maluqice em fatos concretos):

Fato 1: calmamente, no meio do dia, do nada:

- (Baru): Você sabia que o Ban Ban, filho do Barney, é adotado?

- (Eu, depois de rir meia hora): Hein????!!!!!

- (Baru): É, o Ban-Ban. Filho do Barney, dos Flinstones. Você sabia que ele era adotado?

- (Eu): Como assim? Adotado? Quem te disse isso?

- (Baru): Eu estava lendo um texto de psicologia jurídica, sobre a questão da adoção, e o autor deu como um dos exemplos da ficção o Ban-Ban, filho do Barney e da Betty.

- (Eu): É, nunca ouvi falar.

- (Baru): É, nem eu! E eu via Os Flinstones! Eu vi Flinstones anos e anos e nunca vi nenhuma menção a adoção do Ban Ban.

- (Eu): É.

- (Baru): E a Pedrita?


Fato 2:


- (Baru): “eu detesto” significava “eu adoro” na minha infância.


- (Eu): Ooooi???!!!!

- (Baru): É. O verbo detestar, quando eu era bem pequena, significava "não gostar". Depois ele passou a significar "adorar". Quando eu cresci ele se transformou em "não gostar" de novo.

Achei melhor não contrariar.

Minha irmã também jura que foi ela que inventou a escova de cabelo. O fato de você pegar uma escova (ou ir ao salão) e usá-la pra alisar o cabelo. Diz ela que foi ela que inventou nos anos 70, mas a ideia estava no ar e outras pessoas pegaram.

Ela também achava na infância que aquela música “debaixo dos caracóis, do seus cabelos...” foi feita pra ela.

Enfim. São fatos.

Sábado, Outubro 03, 2009

Um pai. Um filho. Três filmes por semana. E tempo.

Estou há umas três semanas pra escrever sobre este livro que li, O clube do filme, de David Gilmour, de um crítico de cinema canadense (homônimo do cara do Pink Floyd) que conta a história dele e do seu filho, Jesse.

Esse livro foi bastante badalado na época do lançamento, ainda este ano, em função da sua história, verídica: David deixa que seu filho pare de estudar. Aliás, ele mesmo propõe isso, mediante ao péssimo desempenho do menino e ao total desinteresse pela escola. Impõe apenas uma única condição. Aliás, duas: nada de drogas e o garoto deveria ver três filmes por semana, com o pai, e discuti-los depois. Essa seria a única educação que o filho receberia. A segunda regra o garoto cumpre a risca, já a primeira...alguns sobressaltos se colocam no caminho.

Louco? Com certeza. Você deixaria seu filho parar de estudar, cara(o) leitor(a)? Aliás, você proporia isto como solução? Pois é.

Os filmes eram escolhidos pelo pai e passam de clássicos como Truffaut a Spielberg. De Wong Kar-Wai a Woddy Allen. Kubrick, Polanski, Fellini, Tim Burton Steven Soderbergh, Hitchcock...tem de um tudo. E como ele mesmo coloca: eu escolhia os filmes de maneira bastante aleatória, sem uma ordem particular. Em maioria, eles deveriam ser bons, clássicos, quando possível, mas sobretudo envolventes, pois tinham de arrancar Jesse de seus pensamentos, com uma boa trama. Não havia sentido, não naquele momento, ao menos, em mostrar a ele coisas como 8 ½ (1963), de Fellini. Eles viriam na hora certa, os filmes deste tipo (ou não). O que eu não poderia era ficar indiferente ao prazer de Jesse, ao seu apetite por entretenimento. É preciso começar de algum lugar; se você quiser despertar o interesse de alguém por literatura, não pode começar propondo a leitura de Ulisses.

Se você gosta muito de cinema, mas entende pouco feito eu e gostaria de entender mais, é um manual. Fala coisas sobre diretores de fotografia, quem fez direção de arte de tal filme e porque o cara é importante e outros detalhes. Sem contar que é dividido em alguns módulos, bastante divertidos (o talento aflora, por exemplo, sobre grandes filmes de atores em início de carreira; séries sobre filmes de horror, exercícios do tipo aponte o grande momento ou porque nós adoramos Jack Nicholson ou ainda cinco coisas que eu admirava em Clint Eastwood).


O pai se pergunta o tempo todo se fez a coisa certa: Eu o imaginei como um homem mais velho dirigindo um táxi pela cidade numa noite chuvosa, o carro cheirando a maconha, um tablóide dobrado no banco do carona. Eu disse a ele que poderia fazer o que quisesse; esqueça o aluguel, passe o dia dormindo. Que pai legal eu sou! Mas e se nada acontecesse? E se eu o estivesse empurrando para um beco sem saída, sem escapatória, para uma sucessão de empregos ruins e chefes chatos, sem dinheiros e com muita bebida? E se eu estivesse preparando o cenário para tudo isso?

Como se não bastasse os problemas com o filho, o pai está em profunda crise financeira, sem emprego, fazendo bicos aqui e ali cogitando até mesmo ser entregador de jornais. Mas, em meio a todos estes problemas, o pai assiste aos filmes com o seu filho - ah é, ele tem uma mulher, que não é a mãe do menino, que trabalha. Mesmo duvidando das escolhas que fizera – para si e para o filho – ele acredita nos laços entre eles e no tempo. E deixa que essas duas coisas ajam sobre os problemas de ambos. E foi isso o que me cativou no livro.
As estações se sucedem através dos gelados e longos invernos canadenses e aqueles dois homens ali, quase imutáveis; às vezes na cadeira de vime, na varanda (quando o tempo permitia), em outras dentro de casa. O pai muitas vezes acordando o filho às cinco da tarde, depois de uma noitada, com um croissant e o convite para mais um filme. Trabalhos que aparecem de vez em quando e cada vez com mais frequência depois de algum tempo. Longos jantares no restaurante preferido de ambos. Passeios perto de casa. Saídas para fumar. Aquele garoto desengonçado e perdido ao lado do seu pai de meia idade, no segundo casamento e sem perspectivas de emprego. A única menção à passagem do tempo vem do próprio autor, quando nos conta que já passaram-se três anos desde que fez sua proposta ao filho. Imagino o livro virando um filme e as as folhas amarelas mostrando que mais uma estação se completara e o garoto continua ali, com um ou outro subemprego e se aventurando como cantor de rap.
Fiquei pensando em como, na maior parte da vida, isso é tudo que podemos fazer. Deixar o tempo agir por si só. Mas, por ser tão simples, e ao mesmo tempo tão difícil, relutamos tanto diante dessa perspectiva. Como David coloca: mas que presente estranho, milagroso e inesperado tinham sido aqueles três anos da vida de um jovem, numa época em que normalmente ele estaria batendo a porta na casa dos pais! E como eu tinha sido afortunado (embora certamente não parecesse assim, na época) por não ter um emprego, por ter tido tanto tempo livre à disposição. Dias, tardes e noites. Tempo.

Cada vez mais eu acredito na máxima de que tempo é dinheiro. Mesmo. Quanto mais você tem um, menos tem o outro. Qual dos dois você prefere ter?


E o que é mais bonito no livro é essa qualidade de tempo que os dois, pai e filho, têm o privilégio de vivenciar. As pessoas precisam de tempo. Tempo de não fazer nada. Tempo para as coisas agirem. Não fazer nada não é estar parado. Não fazer nada não é passar o dia vendo televisão – embora, às vezes, você possa passar o dia vendo televisão simplesmente porque pode. Às vezes você está fazendo um monte de coisas e está parado. Estagnado. Preso a uma vida que você ligou no piloto automático. Mas é assim que todo mundo faz então deve ser assim que é o certo.

Eu volto no tempo e me lembro de momentos em que eu tinha todo o tempo do mundo. Quando se é criança ou adolescente (pelo menos os adolescentes da minha época tinham tempo). Tempo pra ficar observando formigas no quintal. Tempo para olhar a chuva da janela. Tempo para sentar com parentes mais velhos e ficar ouvindo histórias. Tempo. De visitar pessoas. Amigos. De conversar à toa. As pessoas realmente não estão nem aí pra isso. Acham que vai chegar um tempo em que elas terão tempo, sem se dar conta que o tempo passa e quando (e se) esse tempo chegar, talvez não dê mais tempo de se dar ao luxo de ter tempo. Porque, sim, o tempo é um luxo. E depois não entendem porque a distância se instala entre elas e os outros. Ou entre o que elas são e o que a vida fez delas.


Bom, não vou contar o final do livro. Leiam vocês. Se tiverem tempo nas suas agendas lotadas.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Então tá, né...

Ok, ainda que eu não quisesse que o Rio ganhasse, acho que foi justo que ele tenha ganhado. Afinal, se os jogos são a integração dos seis continentes e nunca houve uma Olimpíada na América Latina, então que integração é essa?

Gente, o que foi o Paulo Coelho lá? Achei que estava tendo alguma visão quando o vejo lá, pulando junto com o Lula.

Espero sinceramente que nossos políticos mudem até lá e não embolsem a grana, nem superfaturem as obras. Espero que o investimento traga benefícios para a cidade e que as obras não virem elefantes brancos. Espero também que a população trabalhadora, os mais pobres, os que sempre se ferram em tudo, também sejam beneficiados. Espero. Mas não acredito.

Muita preguiça do Lula/Paes/Cabral...

Em 2016 eu terei 40 anos. Até lá espero estar um pouco mais tolerante e aceitando as mazelas – minhas, dos outros e do meu país. Espero. Mas não acredito.

Mas enquanto eu não chego lá, só uma perguntinha: esse povo todo na praia de Copacabana na hora do expediente, como fica? Não trabalham? Ou será que são todos funcionários do estado – assim como Formiga Irmã – e os empregos deram “ponto facultativo”? Até entendo dispensarem depois do resultado, mas...antes? Pra ver a decisão?

Pessoa (o Fernando) budista

Todo mundo tem para dar e vender;

só eu não tenho nada.

Que tolo sou! Que cabeça atrapalhada a minha!

Todo mundo é brilhante; apagado, só eu.

(Lao-Tzu, Tao-te King, In: A prática do Zen na cura da depressão*, Philip Martin.)

* O engraçado é que o título do livro em inglês é: The zen path through depression. Mesmo porque depressão não tem cura - no máximo, tem controle, como diabetes e pressão alta - e qualquer livro que se intitulasse detentor de tal poder não mereceria a menor confiança. Tanto que na primeira página ele adverte: "Embora as técnicas descritas neste livro possam trazer alívio aos sintomas de algumas pessoas, a depressão é uma doença grave, que pode, em certos casos, exigir tratamento médico com um profissional credenciado da área da saúde. Os leitores contam com o nosso incentivo para buscar esse aconselhamento. Nem o autor nem o editor assumem qualquer responsabilidade legal por danos decorrentes da aplicação das técnicas apresentadas neste livro" (grifos meus).

E qualquer um que ache que se curou porque leu um livro não estava doente - até está, mas de outro modo.

Só esclarecendo que esse livro não é de auto-ajuda.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Karen, durante nossa troca de conversas semanais, me ensina uma expressão nova: I'm chained in my desk (eu estou acorrentado a minha mesa), pra quando a pessoa está lotada de trabalho. Ela dizia isso sobre o fim de semana que vem dela.

Depois ela me perguntou se nós temos algo semelhante. Ahnnn...acho que não.

Formiga Irmã me corrige: com as costura pertada!

É. Deve ser o nosso equivalente.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Vai que é tua, Tóquio!

Ou Madrid, ou Chicago ou qualquer cidade que tenha condições de fato de sediar um grande evento.
Ou que eu tenha passado pra uma universidae pública, já tenha cuprido o estágio probatório de três anos e esteja na puta que o pariu, bem longe do Brasil.
Já me basta a Copa.

Mais uma dúvida para os meus intrépidos leitores...

Preciso de um conversor de word pra pdf. Baixei um que não foi legal. Vocês têm sugestões? O próprio site do Adobe te dá um de teste, por 30 dias. É bom?

E, tipo...diminui o tamanho convertendo pra PDF? Mesmo? Quanto? Eu preciso fazer uma tese que tem quase 59.000 KB virar um pouco menos de 3M. É possível?

Agradicida.