Sábado, Julho 04, 2009
Sexta-feira, Julho 03, 2009
E por falar em Michael, acho que desistiram de enterrar o homem, né? Sugiro empalhá-lo e botar em exposição, já que a idéia é lucrar ao máximo com a morte dele. Preocupam com o testamento, com a guarda das crianças...menos com o enterro do corpo.
Isso é que é não ter paz nem depois de morto. Não deixam o cara ir.
Mais uma de Formiga Irmã
Comentário de Formiga Irmã: ai, que inveja.
E não é que é? Passar o dia entorpecido. Era tudo que eu queria no momento.
Pergunta aos moradores do Rio
Como faço pra ir da Rodoviária Novo Rio pro Aeroporto do Galeão/Tom Jobim? Sei que tem um frescão, mas queria saber onde passa. Tentei o site da Real, mas não me ajudou muito, pois a linha que supostamente passaria, a 2018, vai do Alvorada pro Tom Jobim e não passa na Rodô (pelo menos é o que diz o site dos caras). Aí achei num desses yahoo answers um cara dizendo que alguns passam outros não. E que tem que atravessar a passarela da rodoviária pra pegar...nem o site da rodoviária nem do aeroporto ajudam.
Enfim, alguém pode me dizer como eu faço pra fazer esse trajeto e quanto tempo demora, mais ou menos?
Quanto vale o seu não-voto
Eu estava em Nova Iorque nas eleições municipais de 2008. Descobri que eleições municipais você não pode justificar em outro país, muito menos votar no consulado. Deveria justificar minha ausência em até 30 dias após o desembarque em terras tupiniquins, mediante a apresentação do passaporte - o que no meu caso era 15 de janeiro. Perdi o prazo, óbvio. Me apavoraram com multas de mais de cem reais. Enrolei, enrolei até que vou fazer um concurso que me obriga a estar quite com a justiça eleitoral (nos outros dois que eu fiz esse ano não me era feita essa exigência). Sabe de quanto é a multa, caro leitor? Se você, assim como eu, não justificou, não votou e perdeu o prazo de tolerância de 30 dias você paga a incrível quantia de R$ 3,51.
Agora, acompanhem meu raciocínio. O voto é obrigatório, certo? Caso você não possa votar tem N chances de se redimir com a justiça eleitoral. Mesmo assim, caso você perca todas essas chances, você pode livrar sua cara por módicos 3,51. Esse é o preço da sua cidadania.
Bom – dirá o leitor marxista ali da esquerda (sem trocadilho) – 3,51 pode ser pouco pra você, Carrie, mas não o é para um trabalhador que ganha um salário ou menos. Concordo, caro leitor. A própria mocinha do eleitoral me relatou que tem gente que reclama. Mesmo porque é 3,51 por pleito. Mas...não deveria ser uma multa mais gorda, já que estamos cometendo um ato de desobediência civil? Pra uma coisa errada e feia que você fez? De modo que desanime o eleitor reincidir na infração? Então, não deveria ser um preço mais caro?
Mas o preço, caro leitor, prezada leitora, é muito maior. O preço que se paga, devo fazer essa ressalva, para aqueles que acreditam na democracia, coisa que não é o meu caso (não que eu acredite na ditadura, mas minhas posições anarco-individualistas esquisitonas me impedem de acreditar em qualquer forma de governo de uma minoria sobre uma maioria ou de uma minoria que diz representar uma maioria) – é ver o Sarney ser defendido pelo PT, deputados que constroem castelos e se lixam pra opinião pública serem reeleitos. É ver o Collor de novo. E esse, não é 3,51 nenhum que vai resolver.
De onde eu concluo que: vale essa cidadania imposta? Não seria mais válido que o voto fosse facultativo? Para que as pessoas pudessem escolher se querem ou não participar da festa da democracia? Isso me soa como querer despertar no povo uma consciência política a fórceps. Algo como as paradas militares de 7 de setembro no tempo da ditadura ou as aulas de Moral e Cívica e OSPB. Aquela coisa que você não entende muito bem porque faz, ouve falar que deveria se orgulhar, mas só consegue sentir uma raiva e uma vergonha contidas.
Sim, eu sou brasileira e já desisti há uns 20 anos.
Terça-feira, Junho 30, 2009
Terra das sombras
DaquiGotham City (Camisa de Vênus)
Aos 15 anos eu nasci em Gotham City
E era um céu alaranjado em Gotham City
Caçavam bruxas nos telhados em Gotham City
No dia da Independência Nacional
Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal
Eu fiz um quarto bem vermelho aqui em Gotham City
Sobre os muros altos da tradição em Gotham City
No cinto de utilidades as verdades
Deus ajuda a quem cedo madruga em Gotham City.
Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal
No céu de Gotham City há um sinal
Sistema elétrico e nervoso contra o mal
Tem "rock and roll", tem futebol e tem carnaval
Todos estão dormindo em Gotham City
Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal
Os mortos vivos perambulam aqui em Gotham City
Agora eu vivo porque vivo aqui em Gotham City
Chegou a hora da verdade em Gotham City
E a saída é a porta principal
Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal
Hoje Deus não ajudou quem cedo madrugou aqui em Gotham City. Uma nuvem negra de fuligem foi vomitada, cagada, cuspida e escarrada pela CSN na cara dos moradores. Eu não vi, pois estava fora da cidade em um concurso, mas Formiga Mãe e Formiga Irmã contaram sobre o barulho terrível saído dos autofornos da CSN e a nuvem de fuligem preta que se abateu sobre a cidade, como asas de morcego ou mais uma maldade cometida pelo Curinga. Depois sairam matérias no RJ TV e no Jornal Hoje (não sei se vai sair no Jornal Nacional).
Entrevistas com o secretário do meio ambiente, imagens de donas de casas limpando suas casas com mangueiras, carros com uma nem tão fina camada de pó preto. A CSN é multada em 1,5 milhão, mas o que é 1,5 milhão para o Coringa, quer dizer, para Benjamin Steinbruch, presidente do grupo Vicunha, responsável pelas grandes privatizações dos anos 90 – grupo que também fez parte da privatização da Vale do Rio Doce?
Eu não tenho uma opinião definida sobre as privatizações. Ou melhor, acho que algumas empresas melhoraram e outras não. Aqui em Gotham City aumentou a pobreza, o desemprego (papai foi forçado a se aposentar do hospital da CSN e depois contratado como prestador de serviços, mas e os peões, quem pega no pesado? Simplesmente dançaram), mas ao mesmo tempo também aumentou a riqueza e o desenvolvimento da cidade em outras frentes – não sei se necessariamente devido à privatização, pode-se argumentar – mas não para a população em geral. Mas acho que os tempos de estatização se foram e não quero dar uma de companheiro Chaves e Morales. Enfim. Só estou dizendo isso porque me lembro dos anos 90 e desse papo de Iso 9000, Qualidade Total e bla bla bla. Diziam que a poluição tinha melhorado muito porque eles foram obrigados entrar em normas ambientais mundiais e colocar filtros nas chaminés. Hãn hãn. Bullshit, né?
Esses dias mesmo eu estava olhando da varanda do meu quarto e pensando exatamente em como a poluição parecia estar maior. Ou teria sido eu que, após quase 13 anos de Rio, me desacostumei? As chaminés da CSN eram minha companheiras em tardes modorrentas e solitárias da minha adolescência, onde eu sentava na varanda e pensava onde estaria dali a 15 anos (no mesmo lugar, Carrie!, parecem sorrir as línguas flamejantes coloridas que saem das chaminés). Eu moro relativamente perto da CSN – porque quase tudo aqui é perto, a não ser os bairros mais novos. Quero dizer, moro em um morro que tem uma vista da cidade toda, então durmo com barulhos longínquos de trens transportando carga pesada e tenho uma vista digna de Mordor.
É nítida a diferença. Se você olha para o lado direito, o céu é de uma cor. Pro esquerdo, é de outra. E os fogos que saem das chaminés? Abóboras, laranjas, púrpuras, azuis...e eles aproveitam os dias de chuva pra despejar detritos pestilentos na população indefesa. Quem dorme aqui em casa pela primeira vez às vezes estranha os barulhos. Pra mim é velha canção de ninar.
Quando a minha fúria por fatos como este, bem como o desastre que aconteceu no rio Paraíba do Sul ano passado (quem quiser veja também esse artigo do Minc) - que foi causado não pela CSN, mas por uma empresa em Resende, eu sei) - comprometendo o consumo de água de milhões de habitantes na região sudeste, eu só consigo pensar na minha idéia para um livro de ficção científica ou história em quadrinhos. Num futuro distante, habitantes de uma cidade oprimida por um Grande Vilão desenvolvem mutações genéticas em função da poluição de sua Grande Fábrica e única fonte de sustento para toda a população. O que nosso arqui-inimigo não contava é que o feitiço se viraria contra o feiticeiro. Alguns habitantes parecem ter se transformado em espécie de super heróis, seres mutantes, muito mais fortes e resistentes a doenças. Dentre eles, um grupo de adolescentes entediados que passam os dias se drogando e bebendo no clube da cidade. Ao descobrirem seus superpoderes, depois de uma fase inicial em que eles só fazem merda, descobrem que o verdadeiro lugar deles é ali, combatendo o mal – claro que vai ter aquele que vai se aliar ao Steinb, quero dizer, ao Grande Vilão e vai se perder... Assim como o soro antiofídico é produzido do veneno da própria cobra, o mal será combatido com o mal. Claro que haverá uma heróina cujas mutações a deixaram próxima a uma...Formiga, com antenas e uma capacidade de ouvir e enxergar além do alcance. Ah é. Ela também terá que ingerir quantidades absurdas de açúcar para manter seus superpoderes. E seus inimigos usarão isso como arma.
Ou talvez seja uma ficção científica mais filosófica, ao estilo de Neuromancer ou Do the androids dream electric sheeps?
É que, para pessoas como eu, que acreditam em pouca coisa (para dizer quase nada), que não votam, que não acreditam em mobilizações coletivas, que não querem instituir um debate público junto a população local, que não querem pensar coletivamente junto a comunidade, que não querem retribuir à sociedade tudo que foi investido em mim, poucas coisas restam a não ser a Arte (mas acho super válido que outras pessoas façam isso. Acho mesmo. Só não me chamem. Chego a ter quase uma invejinha de quem acredita). A única coisa que eu consigo pensar, para quase todas as grandes respostas da minha vida é em escrever. Mesmo que ninguém nunca leia. Mesmo que seja um lixo, é a Minha Arte. Pra mim a arte é a única coisa que pode mudar o mundo. E o amor. Ou torná-lo suportável – o que já é quase tudo.
E para que não há dúvidas, caso alguém procure no google nuvem de fuligem + Volta Redonda + Steinbruck filho da puta + poluição + CSN, é de Volta Redonda e da Companhia Siderúrgica Nacional e do senhor Benjamin Steinbruck que eu estou falando. Que, evidentemente não mora aqui.
Se bem que eu duvido que aqui seja muito diferente de São Paulo ou mesmo do Rio em termos de poluição. A diferença é que aqui a gente vê muito claramente - no caso, não vê. Sem contar que, pelo tamanho da cidade, a poluição não deveria ser muito grande.
Sábado, Junho 27, 2009
Mais absoluta ainda
Sexta-feira, Junho 26, 2009
We want him back
O ano era o longínquo 1982, mas deve ter sido só em 1983 quando eu o vi pela primeira vez. Eu era então uma criança dos meus 6 pra 7 anos. A MTV engatinhava nos EUA. TV a cabo era uma realidade distante pros brasileiros e mesmo vídeo cassete ainda não era comum. A única chance de se verem clipes eram os programinhas da Globo, tipo o Clip Clip (hoje achamos qualquer clipe no You Tube). Meus irmãos viam sempre, enquanto brigávamos pelo nosso lugar em frente à única TV da casa (hoje em dia temos mais TVs que habitantes aqui) – e eu sempre perdia, óbvio, por estar em minoria e estar competindo com dois adolescentes. Daí eu ficava pela sala. E via o que eles estavam vendo. Me lembro de The Cure, dos clips do A-ha, Madonna e tantos outros. E me lembro de Thriller. Me lembro dos meus irmãos me chamando e dizendo: “vem ver esse clipe que você vai gostar!”. Na época absolutamente original e revolucionário com efeitos de fazer uma criança tremer nas bases (Formiga Irmã diz que se lembra de ter visto pela primeira vez Thriller no Fantástico, sozinha em casa, e de sentir um certo medinho – detalhe, ela já tinha 15, 16 anos na época, mas abafa o caso). Aquele cara estranho, magrelo, rebolativo e ao mesmo tempo virando lobisomem diante dos meus infantis?! Uau.
Nunca fui fã de Michael, devo confessar. Não vou ficar aqui falando sobre todas as mudanças que ele trouxe na música, porque isso todos os jornais estão martelando ad nauseum. Minhas lembranças de Michael são afetivas – como o são as lembranças. Michael Jackson é indissociável da memória dos anos 80 – em especial se você foi criança ou jovem nesta época. Dizer que não sou fã não quer dizer que ele não tenha feito parte da minha vida. Atire a primeira luva branca quem nunca tentou fazer o moonwalk, o passinho quase mágico em que a pessoa desliza pra trás. E quem nunca fez alguma paródia das músicas dele na escola, do tipo Beat it (Pirêêê!!! Pirêee! Pirêêê! Pirêê!!!) que jogue o chapéu. Lembro-me do meu primo Fabinho e o quanto ele gostava do Michael Jackson. (In)felizmente ele – meu primo – não sobreviveu para ver o Michael “Branco” dos nos 90, nem o pedófilo da Terra do Nunca. Fabinho morreu num acidente de carro aos 21 anos em 1992. E o clipe de “Black and White” com as mudanças de rostos, efeito absolutamente incrível e genial pra época? Me lembro que nessa época eu já tinha vídeo cassete e gravei o clip pra poder ficar vendo em slow motion as transformações que, anos depois, seriam febre em qualquer programa de TV.
Michael é um tipo de artista que dificilmente vai voltar a existir. Da era dos mega-shows, mega-vendagens e videoclipes. Hoje em dia a indústria fonográfica amarga vendagens cada vez menores e ao invés de grandes astros famosos por 15 minutos, temos astros famosos para 15 pessoas. Ele, Madonna, Paul McCartney...sobram poucos. Hoje em dia as Stfhanies da vida jogam seus vídeos no you tube e não precisamos mais de vídeo clipes ultra elaborados. Não que eu esteja criticando isso. Apenas constato. O mundo é outro e isso não é bom nem ruim.
Michael é lenda. Vai além de gostar ou não gostar, ser ou não ser fã. É que nem Roberto Carlos, Chacrinha e John Lennon. São parte de uma época. Tudo que se conhece em termos de showbizz se deve a alguns poucos artistas. Michael é um deles. Ele não é o Rei do pop. É o Deus do pop. E quando deuses morrem, algo parece estar fora dos eixos. Vão dizer que ele não morreu, que está num castelo junto com Elvis, Marilyn e James Dean. De certa forma, está mesmo. Quando eu ouvi a notícia, na rua, achei que era uma piada. Dessas que você pergunta: de quê? E aí vem um trocadalho do carilho com alguma música dele. Mas não era piada.
Sobre as maluquices e excentricidade dos últimos anos, quem deu a melhor definição foi o João Marcelo Bôscoli, num programa que tem sido reprisado na Globonews. Ele disse que Michael é que nem aquela tia que a gente gosta muito, mas ficou maluca. A gente visita ela no hospício, tem pena, mas ainda assim, é a nossa tia.
E tias malucas merecem meu profundo respeito.
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Conclusões drásticas (ou vivendo e não aprendendo)
Leoninos: não é que eles não sejam boas pessoas, mas se puder evitar...evite. Não custa.
Tiro pela culatra
Já viram uma propaganda - não sei se é nacional - de um partido que eu não me lembro o nome (boa mesmo a propaganda, nem lembro o nome do partido!!) em que o cara começa dizendo: "22 lembra o que?".
Gente! 22 pra mim é maluco. Será que só eu que pensei nisso? Aí o cara completa: "dois patinhos na lagoa!!!!!".
Quem é o publicitário que fez essa pérola?
Terça-feira, Junho 23, 2009
Enquanto isso, no novo emprego de Carrie...
- ...mas, então... eu queria saber a sua disponibilidade de horário.
- Ah, no momento meu horário ainda está livre.
- Puxa, que maravilha! Essa é a resposta que a gente sempre quer ouvir! Que tal sexta à noite?
Toma, to-toma, to-toma, toma. Otária.
Segunda-feira, Junho 22, 2009
Don't kill the messenger
A expressão “não atire no mensageiro” ou “não mate o mensageiro” é simples e direta: não mate a pessoa que trouxe as más notícias. Ela apenas as trouxe. Se a notícia é má, o problema está na notícia e não no mensageiro.
A idéia foi expressa por Sófocles no distante ano de 442 antes de Cristo, em Antígona, e depois em Shakespeare, com Henrique IV, parte II (1598) e também em “Antônio e Cleópatra” (1606-07). Outros a quem teria sido atribuído o dito – com ligeiras alterações – seriam Mark Twain e Oscar Wilde, embora os mesmos não tenham reclamado a autoria (Fonte: “Random House Dictionary of Popular Proverbs and Sayings", by Gregory Y. Titelman).
Lembro-me de um amigo cujo pai morreu e ele recebeu a notícia do vizinho. Ficou anos com raiva do vizinho. Claro que racionalmente ele sabia que não havia lógica nisso. Mas nem por isso ele deixava de sentir raiva. Mas uma coisa é sentir a raiva. A outra é descontar a raiva no vizinho.
Há momentos em nossas vidas em que associamos determinados sentimentos a certas pessoas sem que as mesmas sejam responsáveis pela causa de nossa dor. É inevitável. Claro que o exemplo do meu amigo aí de cima foi gritante. Na maioria dos casos a coisa se dá num plano mais sutil. Atribuímos sentidos às falas alheias que elas na verdade não têm. Enxergamos mensagens ocultas em simples asserções e criamos fantasmas que só existem na nossa cabeça.
Quando somos crianças fazemos essa associação direta e “matamos o mensageiro”. Depois que a gente cresce um pouquinho aprende a separar o que é nosso sentimento do que é a realidade. Ou deveríamos. Se não podemos evitar de sentir o que quer que seja, podemos, ao menos, evitar de despejar no outro. Há que separar uma coisa de outra coisa. Não matar o mensageiro. Por mais que o meu amigo sinta raiva do vizinho toda vez que o veja, pois se lembra do pai morto, não vai descontar sua frustração no sujeito. Isso se chama ser adulto. Isso se chama respeito ao próximo. Ainda mais quando o próximo é realmente próximo.
Quando você conhece a outra pessoa que está falando e tem por ela um mínimo de amizade e respeito, você tenta entender o porquê dela ter dito tal coisa. “Teria sido realmente por mal? Ela quer o meu mal? Depois de tantos anos de amizade é possível que ela tenha dito X ou Y apenas para me fazer mal? Então ela foi falsa esse tempo todo e eu nunca percebi?”. Tenta conversar, tenta se entender e entender as razões do outro. Crianças choram e esperneaim. Adultos sentam e conversam, por mais incômodo que isso seja. Mágoas engordam com o tempo.
Mas infelizmente as pessoas prezam cada vez menos as relações. Jogam pelo ralo anos de amizade por nada. Acreditam que têm tempo, que podem se dar ao luxo de tratar o outro como bem lhe interessam e depois tudo sanar. Lambendo as próprias feridas, acham que podem cuspir nas alheias – sim, pois só as próprias feridas lhe interessam, a dos outros que se danem todas. Só que o tempo não é o mesmo para todos. Quando as feridas de um se cicatrizam não quer dizer que as do outro estejam curadas. Não se pode sair vomitando os próprios sentimentos nos outros e esperando compreensão simplesmente porque “ó, eu estou magoado”. E o que é pior: o mensageiro sequer sabe porque morreu. Não tem nem a chance de se defender. Como nos velhos duelos, você deve ter pelo menos respeito pelo seu oponente e dar a chance igual de se defender.
Mas, o que eu estou falando? Duelos? Respeito? Delicadeza com o próximo? Que bobagem, né? Valores tão antiquados...
Há que se ter cuidado com as palavras. Com os gestos. Tudo tem uma reação na vida. Não ache que porque é o seu irmão, sua melhor amiga, seu marido, sua filha que ela vai ter que entender as suas grosserias, suas respostas enviesadas, seus cumprimentos atravessados, adivinhar seus sentimentos e ficar correndo para consertar tudo, sem ao menos ter sido avisado do erro. Se você não foi capaz de ter todo esse cuidado com a outra parte não espere que tenham o mesmo cuidado com você. Lembre-se de que o outro também tem sentimentos. Não dá pra sair pisando nos outros porque você está mal. Mais uma vez lembrando o bardo inglês: o mundo não para só porque o seu coração se partiu em mil pedaços. Não deixe a mágoa encroar no seu coração. Amanhã pode ser tarde demais.
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Carrie Robinson
Na complexa e educativa trama de Malhação*, a novelinha que faz Os Mutantes** parecer Shakespeare, tamanha a profundidade de um pires dos personagens, o mais novo conflito é o de um casal de idades diferentes – uma coisa, assim, suuuuper original. Uma mulher mais velha e um garoto.
A mulher mais velha é a Georgina Góes. Que era um dos ídolos da minha adolescência. Que vem a ser uma das atrizes que se notabilizou nos anos 90 fazendo o seriado “Confissões de adolescente”, baseado na peça homônima da Maria Mariana. Que vem a ser...da minha idade. Pior: um ano mais nova que eu. Peposa manda perguntar: então eu já sou uma "mulher mais velha"? Uau! Ninguém me avisaram! Que máximo! Vou sair por aí pegando garotinhos inocentes. Quem sabe eu faça mais sucesso dos que com os da minha idade.
Quer dizer...uma pessoa de 31 anos namorar um cara de 18 é motivo de choque? Só pra eu me situar.
* novela adolescente da Globo.
** Novela da Record onde os personagens são Mutantes e tem poderes.
Finalmente
Jornalistas não precisam mais de diploma para ser jornalistas. O que não quer dizer que uma pessoa não possa escolha fazer jornalismo – afinal, tem bobo pra tudo nesse mundo, né mess? – e depois trabalhar num jornal. Não, sem sacanagem, o que essa lei quer dizer, ao meu ver, é que qualquer pessoa que tenha curso superior da área humana pode escrever num jornal, coisa que eu, como jornalista, sempre acreditei. Quer seja você historiador, sociólogo, cientista político, antropólogo, bacharel em letras ou direito, você poderá, perfeitamente, fazer o trabalho de um jornalista. Sim, porque o “quem? O quê? Onde? Como? Quando? E por quê?” que compõe toda matéria pode ser aprendido por qualquer débil mental em duas semanas de redação.
É a mesma questão se um cineasta precisa fazer cinema para ser um bom cineasta. Sim e não. Há excelentes cineastas que fizeram faculdade e outros tantos que não fizeram. Mesma coisa com a profissão de ator. Há excelentes atores que se formaram na vida, no trabalho, fazendo cursos aqui e outros ali, estudando sozinhos e outros excelentes atores que se formaram em uma faculdade. Idem escritor. Acho que não tem que haver disputa. O que é diferente de um médico. Não dá pra ser um excelente médico apenas por ver cirurgias, por praticar e estudar sozinho. E acho que isso não desmerece nem uma profissão nem outra. O ministro ter comparado à atividade de jornalista à de cozinheiro não desmerece em nada a primeira, muito menos a segunda – afinal, há quem diga que a velha fórmula da pirâmide invertida e do lead e sublead nada mais seja do que uma receita de bolo. Discordo. Fazer bolo é bem mais difícil.
E olha que eu, enquanto fui atriz, sempre fui das maiores defensoras de que as pessoas têm que estudar, fazer cursos e buscar a técnica. Também acho que a melhor maneira de se “formar” um escritor ou poeta é faze-lo ler, ler, ler, escrever, escrever, escrever, aprender gramática, aprender com outros que fizeram antes. Sempre odiei atores intuitivos, cujo “talento nato” brota como água. O cara pode se segurar uma, duas vezes. Pode dar certo em um ou outro trabalho. Pode enganar bem com o carisma. Pode dar sorte. Mas só isso não sustenta um grande ator. O que não quer dizer que ele precise de uma faculdade. Às vezes o estudo de faz de outras formas. Sou a favor do estudo, não necessariamente acadêmico.
Me lembro de um texto, cujo Alzheimer me impede de lembrar o título e estou com preguiça de revirar meus textos do mestrado para procurar, que dizia que diversas profissões se baseiam em um conhecimento codificado. Medicina é uma delas. Eu tive um cunhado que sacaneava o irmão que era médico dizendo que ele era um técnico, mas não deixa de ser verdade (ainda que os médicos humanistas tenham muito mais vantagem sobre os seus amiguinhos técnicos). O Direito é outra. É formado por um corpo de leis e normas que regem a nossa sociedade. É preciso decodificar esses códigos para se movimentar dentro dele. Jornalismo, não. Jornalismo se baseia em um conhecimento do senso comum que se traveste de conhecimento científico. Tanto é que não se consegue definir coisas básicas dentro do jornalismo como o que é notícia.
Costuma-se dizer que o jornalista tem “faro” pra notícia. Uou! Nem um pouco objetivo, hein caros amigos? “Faro”? O que é “faro”? Alguém diz que um médico tem um “faro” bom para diagnósticos? Não. Ele abre o livro, estuda, depois através do exame do paciente ele é capaz de dizer o que ele tem (ok, nem sempre e também não quero dizer que um certo dado subjetivo e de intuição não sejam necessários ao trabalho do médico). O que é notícia? Não se tem uma definição sobre. Notícia é o que é relevante para a maioria. E o que é relevante para a maioria? Quem determina isso? Notícia são acontecimentos inusitados. Tem uma velha anedota do mundo do jornalismo que a gente escutava na faculdade que era “se um cachorro morde uma pessoa não é notícia, mas se uma pessoa morde um cachorro é”. O que dá margem para o sensacionalismo, as notícias feitas para criar impacto, apenas, tão características do início do jornalismo, da chamada penny press (a imprensa a 1 penny) ou yellow press (que na tradução ficou como imprensa marrom), cujos herdeiros são os nossos tablóides, Caras e Quems da vida.
Ficamos na mesma. Vamos por outro caminho, então. Quem decide o que é notícia? O editor. Baseado em quê? Em critérios de relevância. E o que é relevância? Ok, temas que sejam de interesse de toda a sociedade. Descobertas do mundo da ciência, decisões do governo, etc, etc. Mas nem todo dia há notícias relevantes para preencher um jornal, concordam? Mas o jornal continua tendo que sair, com o mesmo número de notícias do dia anterior. E aí, o que se faz? E aí, como diria o meu amigo Robert Darnton, historiador da cultura, francês, “toda notícia que couber a gente publica”. Isso tem um duplo sentido: caber no sentido de tamanho e caber no sentido de encaixar na temática do jornal.
Eu fico realmente impressionada como as pessoas tomam o jornalismo, a notícia, como realidade – muito mais do que, sei lá, só pra dar um exemplo, a novela das oito. “Oh, Carrie, a novela é ficção, o jornal é o que aconteceu hoje de dia”. Concordo. Mas não é porque a novela é ficção que ela descreve menos a realidade. Ela descreve e interfere na realidade de milhares de pessoas. Muito mais do que o Jornal Nacional. Enfim, mas isso é papo pra outro post. Só acho que, parafraseando Churchill, se as pessoas soubessem como são feitas as notícias e as salsichas, ninguém se atreveria a consumi-las.
O problema – e eu falo isso como ex-estudante de jornalismo e professora – é que a faculdade de jornalismo, como é estruturada hoje em dia no Brasil, se divide entre Teoria e Prática (e as duas partes se odeiam e não se entendem). Os professores de Prática e Técnica de Jornalismo (I, II, III...mil) são aqueles tipos jurássicos, que se acham os guardiões da verdade, quase sempre mal humorados, enraivecidos e fedendo a cigarro. Os professores de Teoria são pessoas que ou não são jornalistas ou não trabalham com isso e que passam os dias a falar de temas que nada tem a ver com o dia a dia de um jornalista, publicitário ou o que seja.
Resultado: as faculdades formam o proletariado do jornalismo. O cara que vai entrevistar o buraco da rua, a mulher que perdeu tudo na enchente, ou seja: o burro de carga. Não que os jornais não precisem dos burros de carga e eu não estou querendo desmerecer essa categoria de profissionais. Claro que precisam. Só não acho que ninguém precise cursar quatro anos pra ser burro de carga. Um curso técnico já resolvia. É que nem fazer com que a pessoa estude 4 anos pra ser lixeiro. Não precisa. É um profissão super digna, das mais essenciais (sem ela estaríamos todos literalmente na merda), mas, não é preciso curso superior para tanto. E há aquela meia dúzia que vai ser editor ou fazer algum trabalho um pouco mais autoral dentro do jornalismo – e estes não necessariamente serão jornalistas.
(Bom, estou aqui pensando com os meus botões, só pra usar uma gíria antiga, se todo lugar não faz isso: forma sempre a massa, enquanto a chefia é sempre pra poucos, mas...).
Agora, só cá entre nós, o problema maior ainda é que o jornalismo é um grande negócio, desde que foi fundado e cada vez mais. Mas as pessoas acham que não. Acham que lendo Caros Amigos estão tendo um jornalismo mais imparcial do que em Veja. O que acontece é que quando a gente tende a concordar mais com o ponto de vista de determinado veículo acha que esse é o ponto de vista certo e por isso imparcial.
E, acreditem, jornalistas crêem piamente na tal da imparcialidade. Em ouvir “todos os lados da história”. Não percebem que, ao contar uma história estamos sempre dando forma a um conhecimento aleatório e esse simples “dar forma” imprime sentido. Carregado de ideologia, claro. É que eles sempre acham que a ideologia deles é melhor do que a dos outros.
Ai, cara. Na boa. Que preguiça tudo isso, viu...
Terça-feira, Junho 16, 2009
Esse mundo não me pertence


Eu me pergunto... vale a pena? O vexame de ser óbvio o uso do photoshop não é maior do que aparecer com um pouco mais de roupa, mas um pouco mais parecida com o que se é?
Alô, ouvintes
Formiga Irmã está agora (11:00) em um programa numa rádio. Evangélica. Quem quiser ouvir: http://www.portal88fm.com.br/radio.asp. O tema: o impacto das novas tecnologias na sociedade.
Só espero que ela fale nada sobre o caso do “Boneca, cadê meu dinheiro”, se não periga já segurarem ela lá pro exorcismo.
Segunda-feira, Junho 15, 2009
Conversas insólitas com João Francisco II - ou: estabelecendo silogismos.
- Onde chê tava?
- Dormindo.
- De chinelo?!
- Não né, João!
- Chê tila o chinelo pá deita na cama?
- Tiro, João.
- Minino feio não tila o chinelo.
- Ah, é. Menino feio pisa de sapato na cama.
- Que mais que minino feio faz?
- Ah, menino feio faz um monte de feiúra. Faz malcriação pro papai e pra mamãe, não papa tudo [falei isso porque sei que ele não come direito], fica sem tomar banho...
(Pausa)
- O Caio não papa tudo.
(Caio é o primo mais velho dele).
Né bobo não, o rapaizinho. Já jogou logo a culpa no primo, antes que eu enchesse o saco dele. O Caio não papa tudo, logo o Caio é feio, logo eu sou bonito.
Conversas insólitas com João Francisco
Ooooi, João!!! E aí, você gostou da sanfoninha que o vovô te deu?
(João balança a cabeça afirmativamente)
- Você tem tocado muito?
- Não.
- Sabia que eu vi sua sanfoninha antes de você?
- Pu quê?
- Porque o vovô foi comprar lá em Volta Redonda.
- Que que che tava fajendo lá?
- Eu moro lá, João.
- Pu quê?
- Porque sim, João.
(Pausa)
- Que que chê é da Tia Maiú?
- Eu sou filha dela, João.
- O que a Tia Maiú é shua?
- Minha mãe.
(Pausa)
- E cadê sheu pai?
- Meu pai morreu.
(Pausa)
- Ele foi pro céu – eu continuei, tentando dar uma aliviada, mas sem aquele papo de estrelinha.
- Ele foi pu chéu?
- Foi.
(Pausa)
- E agola, quem é sheu pai?
- Eu não tenho pai, João. Quando o pai da gente morre, a gente fica sem pai.
- Pu quê?
- Porque sim, João.
Achei melhor mudar o rumo da prosa, antes que o moleque deprimisse aos 3 anos, se deparando com a finitude humana.
Eu versão pinup by Ila Fox
Nossa amiga Ila Fox, que mexe com essas coisas de desenho (tem um nome mais moderno pra isso, mas eu não sei...Designer Gráfico?) fez um desenho meu em estilo pinup. Achei ótimo! Vejam como ela captou bem: até a boca ligeiramente torta (que só eu percebo), a pinta...muito bom!
Ila, que agora mora no Sudeste - em Belzonte, pra ser mais exata -, está procurando emprego nessa área. Quem quiser contratar seus serviços, já sabe. O portifolio dela está aqui: http://ilafox.carbonmade.com.
Ila casou, também. Viva! Vida longa aos nubentes.
Domingo, Junho 14, 2009
Velhos hábitos II
A festa foi muito, muito, muito boa. Clima de camaradagem e reencontro entre amigos. Surpresa de amigos que apareceram de repetente, como a Dani. Povo que eu não encontrava há tempos, como Luciano Titi. Meu amigo Gustavo, de Petrópolis, que agora mora em Brasília, que não ficou pra festa, mas pelo menos pude conversar e conhecer a sua filhinha fofa. Lançamento do livro do Cósnis, festa do Kadu...muita coisa boa.
A festa foi linda, gente! Teve rock and roll do Figurótico, uma banda de Barra Mansa, amiga da galera - uma das poucas coisas boas que Barra Mansa já produziu, além da minha amiga Karine e da Marcele (tá bom, e da família delas). Teve discurso da Fló e agradecimento pra mim! Teve eu e Gegê tentando agradecer - quer dizer, eu agradecendo e Gegê mudo do meu lado - e a mala do Gugu interrompendo. Aliás, teve o Gugu dando peixinho no chão e me perseguindo pelo salão com a língua pra fora (ainda bem que era só a língua, né?) - claro que no dia seguinte ele não se lembrava disso - mas o que esperar do Gugu, né verdade?. Teve meu primo Cássio assumindo a batera. Tiveram fotos, muuuuuitas fotos, das mais antigas às mais novas...deve ter eu pulando na frente da filmadora o tempo todo...realmente um evento inesquecível.
Segue o discurso da Fló. Seguem algumas fotos. Você vê na íntegra, no meu orkut - afinal, privacidade pra quê né, messs?
Obrigada minha amiga Aline por ter me trazido aqui há 20 anos atrás.
Obrigada Geraldo e João Roberto, meus grandes amigos e irmãos do coração, por me acolherem sempre tão bem e pelo amor e carinho incondicional!!!
Obrigada a todos... de coração!!! Estar aqui hoje não tem preço!!! Amo vocês!!!
Sábado, Junho 13, 2009
O mundo é estranho
(Cada vez mais e com mais força).
Eu tenho uma irmã muito engraçada, a Formiga Irmã. Ela percebe coisas que ninguém percebe. Ela pensa as coisas que eu vou pensar cinco minutos antes de eu pensar. Aí ela me avisa. É um pouco chato, às vezes. Mas na maior parte do tempo é divertido.
Como vocês sabem minha irmã é psicologia, psicanalista, além de dar aulas em faculdade e ter 10 anos de experiência com crianças. Assistindo às tais “cenas estarrecedoras” sobre o seqüestrador que brincava com a filha e a sobrinha ela vira pra mim e diz: “qual o problema? Quem nunca brincou de polícia e bandido?”. Só que no caso ele é o ladrão.
Parei, pensei e...não é que é mesmo? Ninguém nunca brincou com um revólver de brinquedo? Eu ficaria estarrecida se ele tivesse ensinando física quântica pra garota.
Mas vai falar isso em voz alta? Vamos ver quantos comentários vão ser precisos pra alguém me xingar.
Isso não quer dizer que eu ache legal e aprove. Não é isso. Mas quantos pais jogam vídeo games mega violentos com os filhos ou dão armas de brinquedo e tudo bem? Falar que o cara está “doutrinando” e “treinando” as crianças? Ah, não fode. Só porque o cara é seqüestrador é que acham que ele estava doutrinando e ensinando.
Fiquei pensando em Formiga Irmã como perita forense, dando parecer. Sendo chamada pra falar na televisão: "eu não achei nada demais". Silêncio constrangedor.
Minha mãe acha que somos loucas e provavelmente vocês também. Quem sou eu para contrariá-los.
Estarrecedor é a Sandra Anemberg. E o Globo Repórter de semana passada – "por que é cada vez mais difícil namorar?". Aliás, outra pérola de Formiga Irmã: “ai, Formiga, eu realmente espero que existam outras vidas, porque pensar que a gente viveu num tempo tão brega é o fim da picada”. Realmente...tem horas em que a única coisa que dá vontade de responder é: “nave-mãe, pode vir. Cansei desse planeta”.
Gente bizarra.
* * *
Blogs. Eu me espanto porque eu ainda leio determinados blogs. Não só leio como boto comentários fofos – afinal, pra ofender é melhor nem entrar, né? – e faço um social. Depois penso: “pra quê, Carrie? Pra quê? Você é falsa”. Sim, porque é muito mais fácil definir as coisas no preto ou no branco do que pensar que, sim, você tem simpatias pela pessoa, você queria gostar da pessoa, você gosta de algumas coisas da pessoa, mas...ela é mooooito chata, coitada (a pessoa, não estou dizendo que é mulher). E o povo incensando, elogiando...não, claro que não tô falando da Fal, nem da Roberta, nem de ninguém da minha listinha que eu amo e merece todas as salvas de palma. Não vai ser você a gritar que o rei está nu né, Carrie? Volte pro seu bloguito, reclame pra vocês mesmo e seus 17 leitores e meio de uma maneira que ninguém consiga descobrir quem é e lembre-se de que também existe gente que te acha uma mala. Até você se acha uma mala com freqüência.
É que eu não suporto gente que tem certeza. Eu gosto do que fica entre. No vazio. Eu sempre olho pro outro lado. Eu tava pensando nesse acidente da Air France (daquelas que muda radicalmente de assunto) em como será o instante em que você percebe que vai morrer. Dizem que a sua vida passa como um filme. O Kevin Space diz, em Beleza Americana, que só passam os momentos marcantes. Eu não sei, nunca morri, mas acredito que devam passar coisas absolutamente aleatórias e absurdas, do tipo: “quem vai cuidar do meu aquário?” “Será que alguém vai se lembrar de pegar meus vestidos lavanderia?” “Puxa, nem vou ter um enterro”. “Ainda bem que eu comprei aquela bota cara. Quando o cartão bater eu já morri”. “Ah, eu devia ter comido aquele chocolate”.
E o bizarro nessa história toda é que parece que estão doidos pra achar alguém pra culpar. Entendo que se queria saber o que aconteceu, até pra que se evitem futuros acidentes. E não ter um corpo para enterrar (porque não vai dar pra achar todos os corpos) também deve ser das maiores tristezas, afinal é como se o luto nunca ocorresse, como se ficasse ainda mais nítido do que outros tipos de morte a impressão de que a pessoa vai aparecer a qualquer momento, ou surgir como num episódio de Lost ou depois de ter ficado 10 anos conversando com um bola de voley – afinal, o mundo é estranho e tudo pode acontecer. Até mesmo ter sobrevivido alguém. Mas voltando: nem tudo tem explicação. Computadores dão pau, aviões dão pau, pessoas dão pau todos os dias sem que saibamos as causas. Tentaram falar do Lula que não veio pro Brasil, enquanto o Sarcozy foi ao aeroporto. Deixa o homi, trabalhar minha gente! Ele mandou o vice. Ta bom. Vice serve pra isso.
Se isso fosse uma crônica edificante e com princípios morais eu terminaria dizendo que é por isso que nós devemos amar as pessoas como se não houvesse amanhã e viver o hoje, sem pensar no depois, mas não lhes darei alento. E o amanhã pode demorar, portanto coma o brócolis e dispense o brigadeiro, porque você pode viver cem anos.
Esse post tá meio antigo, mas queria falar.
PS: Esse foi mais um post programado. Espero que esteja dando certo.
Se tudo correu bem na festa da Fló, eu devo estar com uma leve ressaquinha essa hora. Se tudo correu muito bem, eu estou com muuuita ressaca.
Sacanagem. Como diz mamãe: "minha filha, finge que bebe! Finge que tá bêbada". Vou só fingir dessa vez.
Sexta-feira, Junho 12, 2009
Você está trabalhando, caro leitor? Puxa. Que pena. Me solidarizo com você. Solidarizo, mas nem ligo, porque eu estou acordando num maravilhoso clima tropical de montanha, no circuito das Montanhas Mágicas da Serra da Mantiqueira. Sim, eu estou de férias ainda. Sim, essa mamata vai acabar, mas sabe como é: faculdades quase sempre emendam feriados. Das maiores vantagens de se ser professor(a) estão: julho, dezembro e janeiro. E se você trabalha em federal ainda tem mais uma: fevereiro.
Também as férias em julho são providenciais. Quando você está prestes a esganar um aluninho (e apenas a justa causa o atemoriza), quando você não aguenta mais a matéria, vem junho e as provas finais. E depois novembro. E no semestre seguinte tudo muda. Outras pessoas.
Bom, quando eu começar a dar aulas vou ter que maneirar nos posts. Não posso ficar falando das minhas diarréias. Claro que meus alunos não vão saber do blog, mas...sabe como é. Aluno é bicho danado. Descobre tudo. Todo cuidado é pouco com essa raça.
Viu, Peposa? A zenti vai ter que fingir que é adulto, táááá? Mamãe vai ali bincar de tia e zá volta. Não shai daí, heeeeeiiin?!!!
Quinta-feira, Junho 11, 2009
Fotos da defesa
Testanto um, dois, três.
Eu estou, pela primeira vez, deixando posts programados. Vamos ver se vai dar certo. Este deve entrar às 15h de hoje.
Bom feriado! Nesse momento eu já devo ter almoçado e devo estar dormindo - sim, porque uma hora o sono bate no quarto da Gôda, entre almofadas rosa e cheiro de naftalina.
Conclusões
Gente, se eu morasse em São Paulo eu só andaria à pé, de metrô ou bicicleta. Como pode um engarrafamento de 300 km? Ida e volta daqui ao Rio e ainda sobra. Ida e volta daqui até Andrel. Como pode? Como vocês aguentam, amigos paulistanos? Sei que São Paulo deve ter mil vantagens e eu até que sou uma pessoa bastante urbana, mas...são 300 km. Situação atípica, mas...300 km. Ninguém deveria achar normal 300 km de engarrafamento. nem em véspera de feriado com chuva. As autoriades deveriam estar alarmadas, se reunindo pensando em medidas emergenciais. É caso de calamidade pública. De decretar lei marcial proibindo carros de sair na rua. Eu tenho claustrofobia, se eu ficar presa no trânsito eu largo o carro e vou embora. Quantas horas? Cinco, seis, sete? Me lembro daquele texto da Marina Colassanti: "a gente se acostuma com tudo" (ou algo do tipo).
Velhos hábitos
Perdi o sono hoje às 5:30 da manhã. Não, não vou levantar. Repassei mentalmente – e em voz alta, deitada, no escuro – os poemas do Júlio que eu vou declamar, li três ou quatro capítulos de Incidente em Antares. Vontade de comer ovo frito. Humm...ovo frito com gema molinha, pão francês quentinho molhadinho na gema. Pão quentinho com manteiga e ovo frito...gorda safada, gorda safada...quando eu era criança eu só comia ovo frito e café com leite no café da manhã. E arroz, feijão, azeite e gersal de almoço. E era super saudável e magrinha. Sete horas levantei. Peguei jornal lá fora, fiz café, pelo bem da minha silhueta – e das minhas unhas, já que teria que lavar a frigideira, pois é folga da criadagem em Versailles – fiz ovinho toc toc (aquele que você só esquenta, com casca e tudo, até a clara ficar durinha, aí você bate com a colher – toc toc – abre e come) com queijo quente de pão integral. Li o jornal, vi o Bom dia Rio, o Bom dia Brasil. La ra raaaaa. O que eu faço agora? Subi, arrumei a cama, comecei a me arrumar, decidi fazer minha sobrancelha. Fiz a toalete básica completa. Que horas são messs? Vai dar oito. La rara raaaa. Finalmente minha Formiga Mãe levantou e fui acordar Formiga Sister, que é a motorista.
Ansiedade pré-andrelândia.
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Gente! O A fazenda de hoje foi hilário. O Jonathan Sorvetão-Cidade-de-Deus ficou zoando muito o Miro – que, segundo o meu amigo Luís Miscow, é o namorado do Gianechini (briguem com ele, meninas, processem ele eu não tenho nada a ver com isso e até defendi a virilidade dele – do Giane, não do Luís). Eu só posso dizer que na Quem Acontece dessa semana tem uma foto desse Miro num karaokê com o Giane. Tipo, ser viado tudo bem. Mas karaokê, Giane? Mas enfim. O Sorvetão zoou muito, mas muito, muito o Miro (que nas horas vagas pega a Babimonster). Daí ele perdeu a linha. Primeiro disse que o Jonathan tinha inveja dele. Que era pra ele ir malhar e comer direito (só faltou dizer quem) – nego tava zoando esse Miro porque ele é todo bombadinho, bundinha empinada...e usa Vistoria’s Secrets de Pêra! Hahahahaha...ah, não! Victoria’s Secrets de Pêra, não!!! Eu não deixo namorado meu usar VS. Eu uso VS. Eu posso ter cheirinho de fruta. Homi meu não, porra. Vai usar um caralho dum perfume de macho se não quiser tomar porrada. Não, não tô falando de cecê, leitor engraçadinho! Tô falando de cheiro de homi. Limpeza, sim. Perfumes caros importados, ótimo! Desodorante, tudo!! Mas Victoria’s Secrets é meu. VS é de mulézinha. Começa assim, depois tá pedindo meu alicate emprestado. Num fode (escarra e cospe no chão).
Mas, então. Voltando ao assunto. Depois de ser zoado, tentar argumentar, o cara saiu e chorou! Hahahahaha...cadê o Luís no msn quando a gente precisa dele! Ninguém para compartilhar esse momento lindo comigo. Aí tá ele chorando e vem a Babideformer consolá-lo. Ela é dessas pessoas que o cara tá chorando e ela diz: “Ei, ei, EIIII!!!”. Hahahaha...passando mal... Ela fala o tempo todo como se estivesse numa novela. Ela é a que mais “visão de jogo” (o que quer que isso signifique ao certo).
Aliás, eu acho que eu descobri o que aconteceu com a Babistragada. Acho que foi plástica, junto com botóx em excesso, silicone na boca e bomba pra ficar forte. Sim, porque ela está com os traços levemente masculinizados, tipo a Feiticeira nos bons tempos. Maxilar quadrado, saliente...isso é esteróide. Claro, são só hipóteses. Ou então, pode ser que eu esteja com inveja dela.
Mas o melhor de tudo foi quando o Jonathan foi pedir desculpas pra ele: “tipo...ahn...é...cara...assim...tipo, desculpa...hãn...”. Daí o Miro estava lendo um livro: “Você pode curar sua vida”.
E o Theo é o fazendeiro da semana - que nem o líder no BBB. O Theo é, de longe, a pessoa mais perturbada da casa – pelo menos até agora. Olha que ele tá concorrendo com gente tipo o Dado Ado Ado e uma tal de Bárbara que de tão louca, não deu conta e saiu ontem. Mas o Theo é completamente desnorteado. Pra começar ele tem mania com o número Oito. Ele precisa ver o Oito nos lugares. Ele faz o oito no ar. Isso pra mim é doença e tem tratamento. Se chama Transtorno Obsessivo Compulsivo, o famoso TOC. A pessoa é atormentada por idéias fixas. 200mg de cloridrato de sertralina (Zoloft) ajuda bem. Ele levantou e pegou um livro! Quem que acorda e antes de lavar o rosto, às seis e meia da madruga, pega um livro? Nem o José Mindlin.
Ele conversou horas com o caseiro que sequer respondeu uma palavra pra ele. Ele chorou ontem fazendo o parto de uma ovelhinha. Ele fala sozinho. Ele abraça as pessoas toda hora – abraçou o Dado Ado Ado às 6:30 da manhã (os que tentaram me abraçar nesse horário não ficaram vivos pra contar história). Ele fez um discurso enorme pra ex-namorada, pedindo pra ela terminar com o atual namorado e esperá-lo. Luís me conta agora que ele perdeu a namorada para o Rodrigo Pavhanelo. Luís, eu to começando a achar que você é a identidade secreta do Nelson Rubens. Oquei, oquei, oquei! Mas você vai no blog dele e ele está falando de Les Miserables, tirando onda de “melhor livro que eu já li”...assume seu lado trash, Luís. Não tenha medo. Existem outros como nós. Venha para o lado negro da força. Venha para onde está o sabor.
Teoricamente eles devem fazer todas as tarefas da fazenda – como ordenhar vaca (que essa semana é de responsabilidade do Dado Ado Ado), alimentar animais, pegar os ovos no galinheiro, limpar...mas...se dependesse só deles, acho que os bichos já teriam morrido. Ontem tinha uma zootecnista dando explicações, hoje eu descobri um caseiro...ou seja, na prática o que eles fazem?
E o melhor de tudo são as legendas da Record. Estilo o-nosso-público-é-tão-imbecil-que-precisamos-explicar-a-piada.
Terça-feira, Junho 09, 2009
Campanhas estranhas
Será que fui só eu que fiquei pensando os obstáculos que faltaram? Tipo a mulherada engravidando dele (Milena, Cicarelli – que perdeu – e essa última. Das que a gente sabe, claro); os travecos; uma picanha suína...
Dois eventos para o feriado

Essa da esquerda é a minha amiga Fló. A da direita, a menorzinha, é a Fê, irmã dela. A Fló é minha amiga desde a 6ª série. Ela é aqui de Gotham City, mas certa vez a levei para Pasárgada, cidade no interior de Minas, de onde minha mãe é, e onde passei todos os feriados e férias da minha adolescência e pra onde ainda vou com frequência.
O que tem na cidade? Nada. É uma cidade do interior de Minas como tantas outras, com alguns casarões coloniais, algumas cachoeiras. algumas fazendas e onde faz um frio de lascar. Mas além de guardar as raízes de quem eu sou, é também um lugar de gente animada, de onde são 80% dos meus amigos de hoje em dia (seja porque foram nascidos e criados lá ou porque, assim como eu, têm famílias lá e sempre mantiveram o link). A gente pode ter crescido, morar em locais muito distantes, até fora do país, mas de vez em quando as pessoas se encontram. E aí é só cachaçada.
Sim, porque quem conhece Andrelândia sabe que toda boa farra é regada à cachaça mineira. Daí o apelido que a Fló ganhou: V8 (para os não iniciados que nem eu: o motor V8 é o que mais bebe). Hoje em dia Fló é V8 Total Flex. Porque ela se adapta perfeitamente a qualquer combustível. Fê, é a V6. Daí a festa se chamar "V party" (hãn? hãn? pegaram?).
Costumo dizer que a máxima do discípulo que supera o mestre é implacável no nosso caso. Fló diz que eu a iniciei no mundo do álcool, mas você evoluiu muito, pequena gafanhota!
E aí que está fazendo 20 anos que eu levei essa criatura em Andrelcity. Junto com a Karine e outra amiga que nem merece ter o nome lembrado. A Fló permaneceu. E ficou amiga da cidade toda. E passou a ir mais do que eu, até. E esse final de semana ela vai fazer uma festa pra comemorar a data e Nananda, sua irmã, também, já que ela foi imediatamente picada pelo mosquito andrelandense. Eu falei que mereço faixas e momentos de homenagem durante a festa, mas ela me ignorou. Eu e Gegê.
Porque Andrelândia é assim: ou você ama, ou odeia. Ou você morre de tédio ou se apaixona e começa a arquitetar planos mirabolantes de comprar uma casinha e viver da sua produção de couves.
Vocês estão todos convidados. É só chegar na cidade e perguntar pelo posto do Sô João (atenção ao sotaque). Lá chegando, você pergunta pela Fló ou pelo Gegê. Não é o único da cidade. Tem outro. Aí digam que são amigos da Carrie e querem comprar um convite - ah é, a festa ia ser de graça, se fosse num sítio de um amigo, mas como será no clube o ingresso vai custar 15 reais com tudo liberado (comidinhas mineiras simples, como caldos e pão de queijo com pernil), cerveja. E pinga. Claro.
Tem lugar pra ficar (simples, mas limpinho), mas existem também hotéis e pousadas.
E tem também outro evento, o lançamento do segundo livro de poesias do Júlio, meu Cósnis. Pai do lendário e já famoso por essas plagas João Fanquico (que, aos 3 anos de idade pediu uma sanfona ao avô de presente de aniversário. Ganhou uma sanfona profissional para crianças. Faz musiquinhas, aí o paí pergunta o que ele está fazendo e ele responde: "tô fajendo mújica. Eu vi na inteneti".
Vamos lá: O livro se chama "QUOTIDIANO". A epígrafe são duas frases. Uma é uma frase do filósofo Martin Buber “Eu não possuo nada além do quotidiano, do qual eu nunca sou retirado”. A outra é uma frase do meu pai, para a minha mãe: “ela faz o quotidiano ficar tão interessante!”. O lançamento será no salão paroquial de Andrelândia, dia 12, às 19h (mesmo dia da festa da Fló, mas antes. Daí eu vou primeiro pra lá e depois pra festa da Fló, que é às 23h). O lançamento será um sarau. Vou recitar algumas poesias dele. Só pra dar uma palinha, revelo aqui uma poesia (eu tenho o original! Huauauaua! E também os livros chegarão da editora, no Rio, aqui em casa. Eu terei acesso antes do autor! Huahuahuahua!!!) do livro, que não está dentre as que vou declamar, mas é uma poesia sobre a horta da casa das nossas tias (e que é ligada por um caminho de pedra, à casa dos pais do poeta):
Um fundo de horta com tocos
de pau e seus estrepes,
palhas secas nos montes de
terra e seus lagartos;
as bananeiras com os
corações à mostra
e uma mangueira
com setenta e cinco anos.
Solo fatigado e erosões enfezadas.
Um fundo de horta comum,
mas com um caminho
de pedras que leva a
um recanto especial e secreto
de ternuras, petiscos e sorrisos,
refúgio da realidade
sonho de toda gente.
Vou cevando meu toicinho ainda magro e
calejando minhas mãos nas estacas da vida;
vou nutrindo meu cambado corpo cansado
na esperança de dias fartos.
Vou torcendo as cravelhas do peito,
retesando as cordas do coração,
almejando a afinação ideal dos sentimentos.
Vou limpando minhas tripas pra chouriço e
purificando meu sangue com pinga boa;
vou lavando minhas entranhas com limão rosa
e água fervendo em tacho de cobre.
Vou lavrando meus caminhos ainda incertos
neles semeando o que me chega às mãos;
vou produzindo tanto quanto posso mesmo
sabendo que poderei tudo perder.
Vou cozendo em fogo brando de lenha fina
a paciência das horas e dos dias que
se dissipam no tempo e na memória.
Vou vivendo meus amores
e morrendo um pouco a cada dia.
Esse filme da ex-namorada super heroína é bem legal, né? Na linha dos filmes-bobinhos-para-se-assistir-com-dor-de-cotovelo. É tudo o que um ex-namorado merece. Não acho que o personagem da Uma Truman seja louca. Assim como não acho que Glenn Close em Atração Fatal seja louca. Elas só foram...justas (tã tã tã tã...musiquinha de Psicose, Carrie olha para a câmera enquanto empunha seu furador de gelo – outro filme, ok – Huahuahuahua!!!)
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Ai, pessoas vocês me convenceram total pelos viralatinhas! Realmente acho que é o que eu preciso. Nunca pagaria uma fortuna por um cãozinho de raça. Respondi a todos os comentários.
Mamãe manda avisar que eu exagerei no post abaixo. Em tudo. Bom, né? Se eu exagerei em tudo ela não odeia taaanto cãezinhos assim.
Essa é uma possibilidade que eu venho estudando há tempos. Quem lê o blog desdea época das cadelinhas abandonadas aqui perto de casa sabe do que estou falando. E também não pretendo ficar na casa da minha mãe por muito tempo. Mas é claro que é algo que precisa ser pensado.Mas eu ainda tenho tempo. Afinal, quase doze quilos não somem do nada.
Planos para o segundo semestre
Como vocês sabem, minha mãe tem verdadeiro pavor de cachorro. Não é que ela não goste, nem tenha medo, ela simplesmente tem ojeriza, pavor, odeia, detesta, não consegue entender como um ser humano pode gostar de um ser irracional e todos os argumentos de quem não gosta de cachorro geralmente utiliza. Ela tem pavor de focinhos e lambidas e tudo que um cachorro possa fazer com ela.
Aqui em Versailles temos uma vasta área verde ao redor do castelo. Ok, não tão vasta, um quintalzinho modesto. Claro que o cachorro ficaria lá, não entraria em casa, eu cuidaria dele, incluindo gastos financeiros. Mas nem assim ela concorda. Mas como vou ficar aqui pelo menos mais um semestre e não está nos meus planos alugar um apê tendo direito a 1/6 da propriedade real, vivo tentando negociar com a Formiga Rainha sobre este quesito.
Pra vocês terem idéia do quanto ela odeia gente gorda. Ela prefere aturar um cachorro do que me ver ligeiramente obesinha – segundo os cálculos de IMC eu estou naquela primeira fase, “sobrepeso”, não sou nem obesa ainda. Ok, não preciso esperar ficar pra fazer alguma coisa, mas me impressiona o pavor que a minha mãe tem de nos ver gorda (eu e Formiga Sister, já que Formiga Sênior tem o peso controlado há décadas).
Minha mãe foi miss, gente. Pesou 45 quilos – tem quase 1,70. Quando estava de oito meses de um dos meus irmãos uma amiga no supermercado perguntou se ela tinha perdido o filho. Mesmo tendo tido 5 filhos, sendo quarenta e um anos mais velha do que eu e quase da minha altura ela ainda pesa mais de 10 quilos abaixo de mim. Bizarro. Ela acha que quem gosta muito de doce tem uma falha moral. Hoje em dia ela come um pouco mais de chocolate, mas mesmo assim adora dizer: “eu não como doce”. Acho que ela tem vergonha de mim. Ok, ela tem orgulho de eu ser dotôla, ser inteligente, diz que eu sou bonita...mas ela não entende como uma pessoa inteligente, bonita e capaz não consegue emagrecer. Ah é: mamãe é daquelas que come roscas açucaradas de café da manhã e café da tarde e parte a manteiga feito queijo. E não engorda.
Minha mãe tem vergonha das minhas roupas, também. Ela diz que minhas roupas são todas iguais: umas blusinhas com uns botaozinhos e saias. Que eu sou muito simples e que eu preciso usar roupas mais extravagantes. É, minha mãe é meio perua e gosta disso. E ela detesta que eu saia de roupa branca. Me manda trocar. Por ela acho que eu saía de preto dos pés à cabeça todos os dias. Eu gosto muito de preto. Mas é que tem dias em que dá vontade de usar outra cor. Tem dias em que o calor é insuportável. Enfim. Eu sei que é para ao meu bem e provavelmente ela vai chiar ao ler esse post. Ok, posso ter exagerado um pouquinho, mas é quase isso.
Fi-la assinar um documento digitado por mim com essa promessa e fiz duas testemunhas assinarem – Formiga Irmã e Formigo Primo (também conhecido como Aspira Bündchen, cuja total incapacidade de ingerir açúcar o faz ser tão magro quanto à referida modelo, mesmo comendo pratos de pedreiro no almoço. Sim, minha família só tem maluco. Tenho outro primo que não bebe água, mas deixa pra lá). Aí ela titubeou, ameaçou voltar atrás, eu disse: “ok, você tem até amanhã à noite pra resolver. Depois que bati o martelo, acabou”. Ela disse que não, tudo bem. E não voltou atrás. Vocês estão de provas.
Aí ela ficou dizendo que eu vou lucrar duplamente, pois vou emagrecer e ainda poder ter um cachorro. Uai. Pobrema! Quem mandou propor tal trato maluco?
Conversando com Formiga Irmã:
- Se a mãe cumprir o trato e concordar com o cachorro é porque ela detesta mais gente gorda do que cachorro.
(Formiga Irmã): e se você emagrecer por causa de um cachorro é porque você gosta mais de cachorro do que se você mesma.
Será?
Fiquei pensando: em todas as fábulas sobre animaizinhos de estimação e cãezinhos, eles não vêm para nos salvar e nos lembrar de valores que havíamos esquecido? Então. Quem sabe?
Daí estou analisando opções de adoção – sim, eu não vou comprar, afinal “um amigo não se compra” e “pet legal não vende animal” e com tanto cachorrinho precisando de casa e os abrigos aqui de Gotham lotados de cãezinhos não quero comprar. Ao mesmo tempo, queria um filhote, pois não tenho muita experiência (bem sucedida, pelo menos) com cães e acho que deve ser mais fácil pegar um novinho. Recebo sempre e-mails de doações e recebi há pouco tempo um com uma ninhada de labradores (chocolate, preto e claro. Sim, dando). Mas eu quero cachorro pequeno ou médio, no máximo. Amoooo basset hound. É meu cachorro dos sonhos. Se alguém souber de doações dessa raça pode me avisar. Mas vai ter que ser pra daqui dois meses e meio, que é o prazo que eu me estipulei pra emagrecer. Minha mãe disse pra eu tentar “um cachorro tipo o Rodolfo e o Tinho, da Raquel. Pelo menos eles são quietinhos e não enchem o saco. Ao contrário, vocês é que ficaram perturbando os cachorros quando fomos lá”. Traduzindo: daschund. Os cachorros da Raquel são Daschund. Então quem souber de Daschund avise.
Outro cachorro que eu me animei foi um Shin Tzu. É que eu tenho que pensar que posso me mudar pra um apê e ter que levar o cachorro. Então tem que ser até médio. Cocker Spanniel, também.
E viralata, Carrie? Não tenho nada contra viralatas, acho-os muitos simpáticos, espertos e inteligentes. Mas é que eu tenho a idéia de que um cachorro de raça eu terei um controle sobre como será o temperamento dele...tô errada? Preciso de um cachorro dócil, brincalhão e carinhoso. Tenho medo de que, pela minha falta de habilidades eu não dê conta de criar um cachorro mais agitado. Nós aqui em casa tivemos uma péssima experiência com a finada Tutty (que o Céu dos Cachorros a tenha), que era pastor belga e era muito indisciplinada. Ok, várias coisas influenciaram e não quero retomar isso. Meu pai conseguiu convencer mamãe a tê-la. Desconfiamos que ela tinha problemas mentais. Ou talvez fosse a convivência aqui em casa.
Bom, mas o anúncio tá feito. Quem souber de doações no Estado do Rio, favor avisar.
Muitos planos para o segundo semestre. Consegui um emprego – ieiiii!!!! – em uma universidade local, particular e tenho chances ainda em outras duas. Torçam por mim. Fora isso teremos o projeto “Um caozinho por 11,6 kg” e mais várias idéias. Fique com a gente!
Domingo, Junho 07, 2009
Escatológicas
Uma questão para os amigos médicos que lêem este blog desta pobre alma hipocondríaca: acho que estou com problemas intestinais. Estou tendo diarréias muito amiúde, sem ter comido nada “ó, que extravagante”. Estou com uma diarréia terrível e dores de barriga lancinantes que abrandaram agora à noite. O pior de tudo é que é uma dor em cima e por toda a barriga, não apenas na região de cólicas intestinais.
Ok, ontem rolou uma feijoadinha aqui em casa ontem, mas eu comi super pouco e só o caldo. Eu detesto feijoada. Aliás, detesto carne de porco em geral. Não sou muito dada a carnes – com exceção de um bom filé mignon – mas essas paradas de carne assada e talz eu passo tranquilamente sem. Prefiro carboidratos (hmm...massa, doce...), peixes, saladas, frango...enfim. o fato é que eu comi só feijão e pouco. Juro. Quando eu como muito – e isso acontece com freqüência – vocês sabem que eu falo. Mas eu noto que não só eu não gosto de coisas gordurosas, mas também quando como passo mal (então pra quê que come, né leitor?).
E isso vem rolando. Antes eu achava que era por causa da tese, estresse. Sim, porque ao contrário da maioria das mulheres que tem o intestino preso, o meu é soltinho. Sabe mulher que viaja e o intestino trava, come uma coisa diferente e trava, fica nervosa e trava? Pois é. Pense tudo o oposto. Sou eu. Meu intestino não pode ver banheiros diferentes que ele se assanha logo, Activia pra mim é lacto purga, alimentos inofensivos como laranja e café são quase como laxantes e até cerveja, dependendo do dia, me dá diarréia (no dia, não no dia seguinte. Isso me faz lembrar uma vez em Buenos Aires, quando eu estava numa boate de música eletrônica...não, não, deixa pra lá, vocês não querem saber. Esse é mais um post em que Formiga Mãe diz: “minha filha...é por isso que você não arruma namorado”).
Os terapeutas reichianos podem associar esse meu comportamento à minha verborragia. Assim como sofro de diarréia mental às vezes e não consigo segurar o que penso e o que falo, isso se traduz de algumas formas no meu corpo. Uma delas é essa diarréia cada vez mais frequente. Outros sintomas sempre foram as espinhas. É como se eu não conseguisse segurar, em nenhuma escala, meus podres. Será?
O fato é que estou achando que sofro de Síndrome do Intestino Irritável. Ouvi falar nessa doença e queria saber se eu posso estar sofrendo disso. Eu tenho crises isoladas, não é todo dia que isso acontece, mas tem acontecido com mais freqüência. E, mesmo os dias em que eu não tenho a diarréia propriamente eu tenho, como direi...uma maior soltura, se é que me entendem. Só quando eu estou no auge do equilíbrio, fazendo dieta legalzinha, é que a coisa se fixa em bases sólidas (com trocadilhos).
Ou seja: se eu me tornar vegetariana, parar de beber e de comer porcaria eu fico ótima. O que seria o mais sensato a fazer, caso a pessoa aqui fosse sensata e não comesse Doritos em frente à TV e não falasse sobre os movimentos intestinais em público.
O que vocês acham, amigos médicos? Denis? Karine? Amiga com nome estranho que é ginecologista e eu esqueci o nome? Devo procurar um médico? Qual? Gastro?
E o pior é que você pensa: ah, pelo menos assim você emagrece né, Carrie? Porra nenhuma, amado leitor. Porque depois eu como. E como como.
Ai, ai. Deve ser tão bom ser normal nessas horas.
Sábado, Junho 06, 2009
Na fazenda
O novo reality da R&c*rd, @ f@$&nda, é bizarro, como não poderia deixar de ser. Afinal, o que esperar de um reality de celebridades onde ninguém conhece as celebridades? Lembra os tempos da saudosa e pioneira Casa dos Artistas e das atuações perfeitas de Alexandre Frota e Supla (aliás, queria aproveitar o ensejo pra mandar um beijo pro Alexandre Frota e dizer o que há muito tempo eu não digo: Frota eu te amo, cara! O mundo ainda não está pronto para o seu talento! Deixa o Tarantino te descobrir, rapaz. Esse país não reconhece seus verdadeiros talentos). Sem contar com o apoio luxuoso de Silvio.
O reality já surge bizarro logo na abertura. Um programa que se chama The farm, cujo objetivo é celebridades (cof, cof) realizarem tarefas do universo da fazenda, começa com a música Staying alive, de Embalos de sábado à noite. Hein? Wadahel? No que eles pensaram? Não pensaram, é o problema.
Eu vi o episódio onde os participantes eram divulgados. Houve muita especulação sobre quem participaria e nomes como Preta Gil até a hora H eram uma incógnita. O critério pra participação foi bem claro: pega quem tá entrando no ostracismo ou quem nunca saiu dele. Nessa categoria entram aquele menino bom de Cidade de Deus que tem nome de sorvete, Jonathan Haegen Daz (tava indo tão bem na vida, coitado!); B@bi X@vier (que já mudou de nome tantas vezes...), cujo rosto parece ter sido vítima de experiências de uma equipe de cirurgiões plásticos comandado pelo Marcelo Caron (no estilo pisca e levanta o pé. Ai, que saudades de Bárbara Paz!); a D@n*y C@rlos...quem? Sim, leitor, aquela mulher chata pra caralho que se acha roqueira e se acha engraçada e nunca conseguiu emplacar nada (a frase dela: Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Uau. Que incrível. Que original); a Mulher Samambaia, que eu descobri que se chama Danielle e que gosta de dormir pelada e é sempre sincera (deixa quieto, pra que chutar cachorro morto, né?) e por aí vai.
Outro critério para participação foi: parentes distantes de celebridades. Nessa categoria entram a namorada do Latino, acho que é Mirella, a Luciele di Carmago, irmã do Zezé di Camargo e Luciano (que já fez novela até do Manoel Carlos, mas a vida é dura, eu sei. Aliás, descobri que ela tem a mesma mania que eu: pegar nas orelhas dos outros, assim como o Dado Ado Ado); a Marina Mantega, meu deeeeeus do céu!!!! Cadê o pai dessa menina? Esse povo não tem família, cara. Não tem. Nem amigos.
Outro critério foi: tem nome de periguete, entra. Nessa categoria entraram de novo a Luciele, a Francielly (a Mirella podia se chamar Mirelly, e aí o trio tava completo, mas nada é perfeito). Aliás, as três estão no paredão da semana. Assim como no BBB tem votação pra ver quem é O fazendeiro, que é a pessoa que comanda as paradas durante uma semana.
Tem também um tal Mendigo, humorista; algumas pessoas de duplas caipiras lado B e mais um povo que eu não imagino de onde surgiu (como por exemplo um tal de Miro que já ta pegando a B@b#).
E tem o Dado. Ado Ado. Que, claro, já ta criando polêmica. Foi falar que cada um tinha um lugar na mesa e uma moça chamada Bárbara, que eu nunca vi, e não sei o que faz, só sei que as manias são sempre que lê, pinta, escreve, desenha, assiste a um filme ou cozinha, tem mania de apagar as luzes (cara...a piada vem pronta, né? Tipo...pra não ver as merdas que faz ela apaga a luz. Agora me diz como alguém que escreve consegue fazer apagando as luzes. Chico Xavier, quem sabe?) saiu chorando, dizendo: “é só porque eu não sou celebridade”. Chora, não filha! Tem meia dúzia aí que eu nunca vi mais gordo. Parece que tá rolando uma disputa de quem é mais famoso. O roto falando do esfarrapado. O tomate falando que a maçã é vermelhinha.
Aí é isso. Eles já estão lá se pegando (na porrada e no amasso), falando merda (eu escutei uma menina dizendo “não somatiza, gente!”, enquanto a outra chorava) e tentando sobreviver na roça.
Logo na entrada a B$bi chamou o pessoal pra fazer uma oração. Nããão, quase não foi oportunista. E o Dado Ado Ado emendou e começou a pedir pelos políticos...e pelos artistas lado B que vendem a alma ao Diabo, Dado, que tal?
O que dizer? Por mais que você pense e espere que eles façam merda, sejam fúteis, idiotas e não tenham absolutamente a menor idéia do que estão fazendo ali eles sempre podem te surpreender. Mas o fato é que ainda tô vendo pouco, porque tá batendo com o horário da novela.
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Das vantagens de se ter um blog
Hoje eles chegam, de sedex. Estou aqui e escuto o moço do correio: “entrega pra Karen!”. Pensei: ai, meu Deus! É Carrie! Esqueci de dar minha identidade secreta pra ela! Saí correndo antes que a criadagem de Versailles dissesse que não havia ninguém ali com aquele nome.
Abro. Fotografei tudo para que vocês possam ver (não sou boa fotógrafa como o marido dela nem minha máquina é tão boa, mas acho que dá pra dar uma idéia). Caixinha fofa, cartãozinho e os cookies. Chegaram bem inteiros – eu moro no interiorrrr do estado do Rio, como vocês sabem e eles vieram de Sumpaulo Capitarrrr e chegaram em perfeito estado 9de Sedex Normal, já que aqui não tem Sedex 10), como vocês podem conferir. Um ou outro quebrado, como estariam se tivessem sido transportados pra uma loja ou de uma casa pra outra.
E o sabor? Vocês não podem imaginar, por mais que eu descreva. Crocantes. Fazem “croc” quando você mastiga. Você sente os ingredientes. Algo de manteiga. Um marrom amarelado. Formiga Mãe acha que tem um toque de açúcar mascavo, mas eu acho que não. Gotas de chocolate densas. Chocolate bom, da melhor qualidade. Gosto de cookie de casa de vó. Perfeito. Já comi muitos cookies nessa vida, pelo mundo a fora, mas não me lembro de ter comido cookies tão bons. Talvez iguais. Melhores, nunca.
Eles chegaram antes do almoço. Abri e tirei um pedacinho só pra provar. Nisso chega Formiga Irmã...
- Baaaaaru, vem ver os cookies da Paula que chegaram pelo correio!
E ela enrolando. Aí sobe com um caldinho de feijão.
- Larga esse caldinho e come esse cookie.
- Ai, peraí, cookie com feijão?
Cinco minutos depois...
- Me dá mais um pedacinho!!!
- Não, a gente já vai almoçar, depois a gente come!
- Eu vou escrever pra ela e dizer: você mandou pra pessoa errada, a Carrie é egoísta e não dá pra gente. Pão dura, pão dura, pão dura!!
- Mas meu Deus, espera só depois do almoço, que coisa!
- Você me dá uns pra eu levar pro trabalho?
Depois do almoço fizemos um café e comemos quase tudo. Tem quatro ali me olhando, mas eu fiquei de deixar dois pra Formiga Irmã e dois pra mim.
Muito bons. Aprovadíssimos. Agora quero encomendar outros tipos.
Quando fundarmos nossa comunidade Amish, Paula será sequestrada e mantida em cárcere privado em troca de fornecer delícias para nossa aldeia.
O endereço do blog: The cookie shop.





Quarta-feira, Junho 03, 2009
Reentrando na atmosfera
Comentários respondidos. Acho que todos. Se esqueci alguém (acho que não), não foi proposital.
De todos os lindos comentários de vocês – e foram muitos os lindos comentários, que me emocionaram – de pessoas de sempre e das que apareceram agora - esses momentos são sempre interessantes, porque pessoas que nunca comentaram resolvem “sair do armário” – o mais lindo de todos foi da senhorinha de 76 anos que ficou “barganhando com Deus” pra dar tudo certo. Como ela disse, “velha é a vó”. Eu gosto de falar “velho”. Prefiro do que “idoso”. Acho “idoso” meio hipócrita. Meio paliativo (também não gosto de “esposo” e de “paulatinamente”, mas por outros motivos). E eu chamo minha mãe, que tem sete ponto três (recém completados dia 31) de Bebê (ou Babyssauro ou Baby da Silva Sauro ou Bebezinho ou Babyzinho). Mas, tá bom, se você pede eu chamo de “idosa”. Aliás, não chamo de nada, porque acho que a idade das pessoas não deveriam defini-las – mesmo porque, eu nunca fui chófem. Aliás, queria chamá-la pelo nome, mas você não assinou. Por isso eu queria que você assinasse e por isso estou dizendo tudo isso.
Vocês não podem imaginar o alívio e a felicidade que eu estou. No momento só durmo. Acordo umas dez horas, leio jornal e durmo (afinal, o esforço é muito grande). Almoço e durmo (comer dá sono e dormir dá fome). Lancho. Fiz um bolo de limão ontem – não ficou muito bom, o de chocolate da semana passada ficou melhor, mas estou aprendendo. Tá frio e eu amo frio (AMO AMO AMO). Tô lendo “Incidente em Antares”, do Érico Veríssimo (não, nunca li, li O tempo e o vento, todos os volumes, mas esse não), intercalando com Gossip Girl. Tô me divertindo horrores com o novo reality da Record, A fazenda, mas daqui a pouco eu comento.
Ai, ai. Muito trabalho. Vou ali almoçar e já volto.
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Dotôla Fumiga
Oi zenti! Passando muito rápido só para dizer que foi tudo ótimo. Só muito cansativo - de : 13:30 às 18h. Mas, apesar disso, muito descontraído e divertido. Pessoas queridas foram. Amigos de diferentes frentes - Fló, minha amiga de infância, representando a ala gothancitiana E andrelandese (agora que ela já tem 20 anos de Andrel, já pode ser cidadã honorária); Pat e Janaína, amigas do doutorado; Laila Baila, amiga de anos do teatro que estava há 8 anos em Paris e voltou pro Brasil, cujo aniversário era ontemm...só faltou a Raquel pra representar a ala novaiorquina! Ha ha ha!!!
A banca foi muito gentil e educada. Elogiaram a "coragem intelectual", a "ousadia do tema", destacaram a escrita da tese (mesmo com todos os errinhos) como agradável, deram ideias para artigos e coisas que eu posso fazer depois, fizeram críticas, claro. Falaram que eu tenho "talento para a pesquisa". Hahahahaha...eu tenho talento pra ver Sônia Abraão e falar mal das celebridades, meu povo. O resto eu engano - e bem. Sem falsa modéstia Afinal vocês sabem que eu sou o máximo, vou dominar o mundo e meu maior defeito é a humildade, né?. Meu orientador fooooofo fez agradecimentos no final, disse que aprendeu muito comigo e muitas das idéias que ele tem hoje sobre literatura e história e sobre o Rubem Fonseca (autor que eu estudo) ele deve a mim. Disse que ele não se considera um orientador, mas alguém que me acompanhou nesse processo, um leitor e que tem até vontade de escrever sobre o meu tema (ante as piadas da banca: "mas deixa ela escrever, hein?", "não vai roubar o tema, hein?").
Diz minha amiga Pat que só mesmo eu pra fazer piada na minha própria banca. Diz ela que nunca riu tanto numa defesa. Ou seja: boto uma lona em cima e começo a cobrar ingresso, né? É só meu jeitim...
O chopp depois foi divertido, porém curto, porque eu não dei conta - tava quase desmaiando de cansaço, depois de dormir de duas e pouca às seis e passar mais de quatro horas numa banca, mas deu pra tomar uma meia dúzia - o que é nada pra mim. Só consegui chegar às 8 (se alguém foi antes, desculpa), porque o lance lá demorou muito. Fomos embora antes das onze (se alguém chegou depois disso...quem mandou ir tão tarde?). Encontrei Vanor, em um horário tipicamente carioca (3 horas depois), mas pelo menos pude dar um abraço nela. Roberta Caravalho, como sempre estava lá antes de mim. Tias, primas, irmãos...muito legal. Tive até ligação internacional de Amana Jones!
Voltei pra casa e dormi com uma chuvinha deliciosa que não para de cair desde ontem (não é ironia, pois amo chuva. Creio que foi uma homenagem dos céus a mim).
Não tenho como agradecer as mensagens de carinhos de todos vocês. Depois agradeço um por um, mas por hora é só um bigado geral. Depois boto fotos também.
Estou na Capitarrrr até domingo, aos que quiserem contato.
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Amanhã
Muito obrigada pelos emailzinhos de força que eu recebi. Gente que eu nem imaginava que se lembrava, gente que nunca havia se manifestado, obrigada mesmo.
Quem for de reza, reze. Quem for de orar, ore. Quem for de tambor, bata. Quem for de energia, emita-a. Quem acreditar “num lance cósmico muito doido”, faça...sei lá, faça alguma coisa, pense em mim. Amanhã, 13:30 da tarde.
E se você for do Rio ou estiver no Rio e quiser saber como foi, pode aparecer no bar Devassa, no Flamengo (perto do Largo do Machado, entre a Marques de Abrantes e a Senador Vergueiro) às 19h onde eu estarei comemorando – ou afogando as mágoas. Pode chegar. Pode se apresentar que será bem-vindo (a).
Amanhã, 13:30. Serei doutora. Volto assim que der com as novidades.
Terça-feira, Maio 26, 2009
The cookie shop da Paula
Gente olha que legal essa moça aqui. O nome dela é Paula. Como ela se apresenta no blog, ela é uma radialista que sempre gostou de cozinhar. Foi demitida depois que teve uma filha e montou uma “loja imaginária” de delícias. Este blog. The cookie shop. Mas o bom é que ela aceita encomendas pra fora. Encomendas reais.
(Aliás, ela teve os meus empregos dos sonhos. Só trabalhou em programa trash de separar briga e ser babá de sub-celebridade! Hahahaha...gente, eu ia a-mar!)
E o que ela vende? Doces. Tortas. Bolos. Biscoitos. Cup cakes. Não, eu não provei, mas pelas fotos (que o marido dela tira) parecem ser deliciosos. Cup Cakes dos mais variados sabores - que eu tremi de emoção só de ver - tamanhos, em embalagens fofinhas, e também biscoitinhos finos e fofos para o chá das cinco, amanteigados, brownies e delicinhas que me deixaram aqui com água na boca (afinal, gordo é tudo safado). Ela ainda faz coisinhas decoradas e personalizadas. Muito lindinhos.
Pena que eu não moro em Sumpaulo e aqui na Província não temos nada parecido. Parece que dependendo do estado e da sua encomenda ela manda pelo correio.
Corre lá no blog e vai na sessão Especialidades da casa. Se a sua boca não encher de água, você não merece meu respeito, leitor(a) de pouca fé! Pegue seu ramo de rúcula e reze para Deus ter piedade do seu coração de pedra.
Ah e ela ainda dá receitas! Até eu, que tenho zero paciência e talento pra cozinha (só pra comer) estou quase tentada a fazer algumas receitas (se bem que não daria muito certo, assim como não é prudente que traficantes sejam viciados). O legal é que as receitas tem sempre histórias por trás. Ela fala de comida de um jeito divertido. Gente, tem uma foto de uma madeleine que eu quase chorei. Principalmente ao ver o joguinho de chá. Quero fazer chá pras minhas bonecas, que nem a Susie, e beber naquelas xicrinhas! Aoinvés de preparar minha defesa fico fuçando o blog dela.
Os pedidos vão para pedidos@thecookieshop.com.br. Não sei quanto é.
Não, eu não estou ganhando nada com isso. Mas sou facilmente subornável por fornadas de cup cakes de brigadeiro molinho. ;) Aliás, estou tendo pensamentos impuros com os cup cakes. E com as tortas de cereja, de noz pecã, torta de maçã da Vovó Donalda, derretidos de limão, pão de mel...hummm...
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Orgulho nerd!
Parabéns amigo nerd! Amiga Geek! Hoje é o nosso dia! O dia internacional do orgulho nerd!
Ok, não posso ser considerada uma nerd oficial e nem mesmo geek, já que nunca joguei RPG, não consegui passar do primeiro volume de Senhor dos Anéis (e olha que rolou toda uma pressão pra eu ler e ainda por cima a edição portuguesa, pois "é a mais fiel", daí o Frodo era Frodo Bolseiro...é, dureza...o que não se faz por amor. Mas vi toda a saga nas telonas. Ainda continuo achando aqueles Hobbitis todos meio gays, mas...); confundo Jornada com Guerra nas estrelas; gosto de quadrinhos, mas confundo o Sandman de Neil Gaiman com o da Marvel; não sei nada de computação e nunca joguei muito videogame (quando jogo até gosto, mas não tenho o hábito). Mas digamos que eu seja uma simpatizante da causa. Afinal, os nerds e geeks (que nada mais é do que um nerd da área humana) são muito mais do que apenas rótulos e dentro da categoria existem variações. Se pessoas tão diferentes quanto o Bill Gates e Kevin Smith podem ser considerados nerds, por que não eu? Afinal, minha convivência de perto com vários deles me autoriza a falar sobre.
Eu gosto de nerds. Nerds lêem muito e em geral são inteligentes (favor não confundir nerd com CDF). Nerds falam mais de um idioma desde criancinha. Nem todo nerd é feio, mas quase todo nerd é esquisito, o que é um ponto positivo pra mim (além de facilitar na hora de namorar, porque nunca é bom namorar alguém mais bonito que você). Nerds são engraçados. Nerds sempre acham que você está fazendo um favor em ficar com eles (e convenhamos, às vezes estamos) e por isso são mais gentis que os homens normais. Nerds tem grande potencial de serem ricos, pois sempre tem idéias geniais. Nerds tendem a ter mais boa vontade com os seus quilinhos a mais ou suas celulites, afinal, tá pegando o boi, né meu amigo?.
O problema é você não conseguir falar com ele um fim de semana inteiro porque ele está em uma aventura de RPG. Ou receber um telefonema no meio da tarde, rápido, porque ele “morreu” no meio da aventura e é o único momento em que pode falar com você, já que seu personagem tem poderes especiais e pode ressuscitar a qualquer momento. Ou também ter que ouvir durante horas os detalhes que ele está bolando para a nova aventura e ter que dizer "puuuuxa, que legal!. Ou presenciar papo dele com os amiguinhos nerds que nunca levam muita fé que você entenda alguma coisa sobre o assunto que eles estão falando (e, convenhamos, quase nunca você entende). Bom, mas eu ainda prefiro ouvir isso do que o novo ataque do Flamengo.
Enfim, viva os nerds. Longa vida aos nerds, sejam aqueles que ainda moram nos basements das casas dos pais ou nas suas mansões milionárias do Vale do Silício. Acho que no fundo eu gosto de nerds porque eles nunca deixam de ser criança.
Encha o peito, coloque seus óculos fundo de garrafa e espalhe o seu currículo lattes por aí, amigo nerd!. Afinal, você é nerd, mas tá na moda!
Da série: tomanucu Personare
Vivificação do humor
Marte em trigono com Lua natal
DE: 25/05 (Hoje), 8h18ATÉ: 09/06 , 1h25
Bom humor e boa disposição social (haha) tendem a ser a tônica do período que vai dos dias 25/05 (Hoje) e 09/06 para você, Carrie. Marte estará formando um ângulo estimulante e harmonioso à sua Lua de nascimento, e isso costuma dar uma dinamizada à vida emocional do indivíduo. Cores mais leves passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas.
É curioso observar, Carrie, como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação ou ressentimento. Remoemos aquilo, até que de repente - bum! - a coisa passa. Em geral, são nos ciclos positivos de Marte com a Lua que a pessoa simplesmente "espana a poeira" e se livra de emoções chatas que não lhe servem mais. E este momento, para você, é agora!
Daí a importância de, neste momento, conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. É um bom momento para o intercâmbio de sentimentos, para a expressão das emoções, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores.
Domingo, Maio 24, 2009
Mais sobre laranjas...
Conversei com a minha amiga Giovana que está em NYC. Ela me diz: “agora eu te entendo quando você dizia que não sentia falta de nada do Brasil, a não ser dos amigos e da família”. Não tem como querer voltar pro Brasil morando em NY não, gente. Só se for por outros fatores, mas comparando cidades, países...dá não. Ta, talvez depois de muito tempo canse, neve todo ano...é uma cidade cara...difícil pra se criar filhos...E vocês podem pensar: “ok, Carrie, você é uma pessoa estranha, que gosta de frio, dark, sombria (eu nunca sonhei com você, nunca fui ao cinema, não gosto de samba, não vou à Ipanema...). Mas a Giovana é A solar. A cidadã mais carioca que eu conheço.
Não tem cidade mais incrível que NY. Não tem.
[Suspiro]
Bom, mas fico feliz porque Gigi passou por poucas e boas ano passado e merece. Aí fiquei pensando: será que tem que ser sempre assim? Temos que sofrer tanto, passar por tanta coisa difícil para sermos felizes? E, mesmo assim, saber que essa felicidade é temporária. Que ela logo será abalada por alguma coisa pelo simples fato de que nada – nem alegria, nem a dor – dura para sempre, como diria Sidney, o Sheldon.
Ou, como diria seu Arthur Capitão: temos que passar pelas laranjas azedas para encontrarmos as doces? Mas as doces também só duram uma temporada. E no meio disso tem as laranjas sem graça, sem gosto. Ressecadas. As que estão um pouco passadas. Logo as doces, as realmente boas, passam a ser apenas uma pequena parcela entre todas as outras.
Oquei, mas...cadê minhas laranjas doces? Por que elas duram sempre tão pouco? Por que nunca dá pra se ter tudo? Por quê, por quê - como diria João Fanquico? (quando perguntaram pra ele: “por que você pergunta tanto?” ele respondeu: “o que é tanto?”).
Talvez o problema seja esse: lidarmos com a dualidade do preto ou branco, bom ou ruim, felicidade ou infelicidade. A maior parte da nossa vida acontece entre. Nas zonas de interseção. Nos matizes.
Falar é fácil. Mas que é foda é. Queria ser que nem minha amiga Fló, pra quem tudo está bom, não importa o tamanho da merda em que a vida dela esteja.
Eu ia escrever algo muito legal, mas eu esqueci. Ultimamente tem sido assim. Aí saem esses posts.
* * *
Ontem eu comprei soutiens. Quer dizer, eu não. Minha mãe comprou pra mim, porque eu não possuo capital nem mesmo para prover meu sustento à nível de seguradores de peitos. Eu queria saber porque eu estou sempre sem soutiens – não em público, digo sem soutiens para usar. Muito mais do que calcinhas. Será que é porque temos sempre menos soutiens do que calcinhas? Vocês, meninas, tem menos soutiens do que calcinhas? Os soutiens de vocês duram pouco? Ou será – e talvez seja a explicação mais óbvia – que é porque meus soutiens dão muito duro, coitados, pegando literalmente pesado?
Sem contar que eu tenho problemas em achar soutiens do meu tamanho. Não só porque eu tenho muito peito (com trocadilho), mas também tenho as costas largas (com trocadilho). E essa moda de soutien com enchimento.... É tão difícil achar um soutien sem enchimento hoje em dia.
Ai, ai.
Se eu já falei isso aqui me desculpem. É que às vezes não consigo lembrar se os posts que eu construí na minha cabeça foram passados para a tela ou não. E, acreditem, eu construo posts com detalhes, com vírgulas e tudo. Vírgulas quase sempre erradas, é claro.
* * *
Aqui em Gotham City existe uma entidade quase metafísica chamada “o hippie do Nove de Abril”. O hippie do Nove de Abril na verdade não é um, mas são muitos. Nove de abril é um cinema de Gotham City. Então, os hippies sempre ficaram embaixo do cinema – porque o cinema tem uma cobertura – vendendo seus atersanatozinhos e economizando pra ir pra Mauá, Maromba e Maringá – que são relativamente perto daqui. Não sei porque, hoje estava reparando que os hippies do Nove de Abril não ficam mais embaixo do Nove de Abril, mas em frente. No...Largo Nove de Abril! (é alguma data importante para a cidade, mas não vou googlar, nem procurar, nem perguntar pras Formigas Mãe e Irmã e provavelmente vou levar esporro delas amanhã de “como assim, você não sabe o que é data de Nove de Abril??!!!”. Enfim, uma pessoa que não paga seus próprios soutiens não merece mais respeito). Deve ter sido alguma ordem da prefeitura, sei lá - pra eles terem mudado do cinema pro largo. O fato é que eles ficam agora o tal largo que fica entre o cinema e o principal shopping da cidade (ah, me lembro como se fosse hoje quando o shopping inaugurou e nós, adolescentes provincianos ávidos por hábitos da Capitarrrr, lotamos o estabelecimento de tal ordem que não tínhamos como andar, mas isso não é assunto para esse post), entre dois prédios comerciais. Eles continuam lá, vendendo suas bugingangas, se reproduzindo, tocando violãozinho.
Eu me lembro de que quando éramos adolescentes o Hippie do Nove de Abril era uma ameaça das nossas mães, pra que estudássemos (não da minha, porque eu sempre estudei, mas em geral). “Menino, vai estudar se não você vai acabar debaixo do Nove de Abril!”. Ou: “caralho, cara! Não vou passar no vestibular! O que eu vou fazer da vida? Vou vender pulseira debaixo do Nove de Abril?”. Eu tenho um colega de classe, inclusive, que virou hippie do Nove de Abril. Não sei onde ele está hoje. Apesar dos hippies do Nove de Abril parecerem ser sempre os mesmos, entra ano e sai ano, ele não esta lá. Na certa pegou alguma nave espacial em Maromba e está junto com Raul Seixas.
Enfim. Eu nunca tive atração pelo universo hippie. Minto. Talvez entre os 13 aos 15. Meu mundo definitivamente caiu depois que eu fui à Maromba – não por acaso, ou talvez por causa disso, eu tive a minha primeira crise de pânico em idade adulta lá (sim, porque quando eu era criança eu tinha várias, mas não sabia o que era, achava só que eu era uma criança estranha. Até era, mas não por isso). Crise de pânico, não. Como diria meu Rimão, estranhamentos. Mas o fato é que, mesmo vendo os hippies do Nove de Abril (cinema ou largo, continua sendo Nove de Abril) como quase mendigos, e mesmo gostando apenas do rock dos anos 60, essa semana eu tive uma leve invejinha deles, seus artesanatos pobres e seus cartazesinhos de “escrevo seu nome em um grão de arroz! Confira”.
* * *
Tem uma moça de 30 e poucos anos que apresenta um programa de beleza num canal fechado perguntando pra uma atriz de 26 anos se ela já tem as ruguinhas dos olhos do sorriso. Oi? A menina tem 26 anos!!! Socorro!!! Ruguinhas do sorriso? Até minha sobrinha Paulinha de 3 anos tem ruguinhas do sorriso. Marcas todo mundo tem, a não ser que você seja uma estátua. Aí ela respondeu que sim. Aí piorou. A moça perguntou se ela já pensou em fazer botox.
Aí tão as duas conversando sobre botar ou não botox. Botax ou não botax, é a grande questão da mulher de 30 de hoje em dia. Balzac revirou no túmulo.
Depois não querem ser zoadas. Não querem que os paparazzi invadam as suas vidas. Pede, né? Que nem Su Vi. Aquela que eu a-do-ro acompanhar a vida. Há duas semanas atrás ela veio como capa da Who Happens (copyrigth Amana). Apenas um véu translúcido cobria seu corpinho. A mulher tem 66 anos. Tá bem conservada, mas tem 66 anos. O peito dela na foto está mais duro do que se tivesse posto meio litro de silicone. Puro petshop, como diria mamãe – rapidamente corrigido por ela mesma: photoshop. E esses jornalistas são tão sacanas que em seguida tem uma foto dela “normal”. Sem retoques. Só pra gente poder conferir.
So, what’s the point? A questão, caríssimos, é a de sempre desde os gregos: circo dos horrores. Só muda o formato. Eles se prestam e a gente compra. Tá bom, vocês não. Eu compro. Só que eu rio.
Por isso eu a-do-ro o Pânico. Porque esse povo tem que ser zoado. É o mínimo. O pânico é minha redenção.
* * *
Uma das moças da banca desistiu. Alegou compromissos de última hora. Na minha mente paranóica eu nem conto pra vocês as teorias conspiratórias que passaram.
* * *
Tia Deceles, vulga A Gôda, vai fazer dois exames complexos essa semana. Liguei pra ela, pra desejar boa sorte. “Ô, minha filha! Essa semana tamos eu e você no bico do urubu!”.
Hahahahahahaha...
Eu amo a minha família mórbida!
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Ooooi, meu nome é Dory!
O Grobo Reporti hoje é sobre memória. Nossa. Que legal. Que original. Quase não tem esses temas de saúde no Grobo Reporti, né?
Traumas afetam a memória. Bebida afeta a memória. Estresse afeta a memória. Ou seja...esqueci!
Ai, ai. Tá foda. O jeito é esperar “Tuuuudo novo de noooovo”. Que coisa.
Soluções velhas para novos problemas (ou soluções novas para velhos problemas)
Descobri a solução para os meus problemas: vou ser Amish. Pensem bem, amigo leitor, amiga leitora: todos meus problemas seriam resolvidos se eu fosse Amish.
Eu não precisaria trabalhar fora. Apenas cuidaria do lar. Tudo à mão, porque, como vocês sabem, os Amish não admitem o uso de nenhuma máquina que facilite o trabalho humano. Mas eu adoro uma faxina. Sem contar que eu não precisaria ficar bonita, gostosa e cheirosa, já que os Amish proíbem tudo que é supérfluo. Muitos menos gastos com tudo. Menos estresse. Então eu não me importaria de fazer trabalhos braçais o dia todo, afinal, não teria que fazer os trabalhos braçais E trabalhar fora de casa E ir à academia E me preocupar com as celulites etc etc. Seriam só e somente só os trabalhos braçais. Então eu ainda ficaria saradona.
O problema do peso também seria solucionado, já que eu ia usar aquelas roupinhas fofas, vintage total, compostas de preto dos pés à cabeça, toquinha branca e sapatão preto pesado. Suuuuper tendência.
Eu não poderia dirigir, mas eu já não dirijo e detesto carro. Ia me amarrar numa carroça. Guiaria meus dias não mais por prazos, mas pelas colheitas, teria filhos loucamente, me casaria com um Amish (e eu sou super a favor de casamentos arranjados, acho que são os que tem maior chance de durar), me reuniria ao redor do fogo para contar histórias, aprenderia a costurar. Louvaria ao Senhor. Tudo à luz de velas. Ah, e também falaria alemão e aquele dialetozinho deles, tipo um holandês.
Só ia sentir falta da internet, da TV e do álcool.
Procurando um pouco mais sobre os Amish para colocar aqui pra vocês achei esse blog de uma brasileira que mora nos EUA e visitou uma comunidade Amish. Confiram.
Só tem um problema: não existe Amish no Brasil. Melhor ainda. Eu vou ser a suprema fundadora e por isso mesmo vou introduzir algumas mudancinhas, como luz elétrica, internet e TV à cabo.
Me aguardem.
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Noite de antes de ontem eu não dormi. Literalmente. Tinha prometido a mim mesma nunca mais ficar sem dormir por trabalho, mas eu minto muito. Principalmente pra mim mesma. Fiquei terminando de imprimir a versão final da tese, a da capa dura, porque eu ia pra’quela estranha cidade da água escondida que fica do outro lado da poça e quando eu vi eram sete da manhã. Quer dizer, em universidades normais a capa é aquela dura, bonita. Na minha é uma capa molenga, de papelão, com o emblema da universidade, porque a minha federal é a mais tosca e mambembe de todas – deve ter piores aí por esses cantões do Brasil, mas eu não conheço. Ou seja: teve a tensão da entrega da tese pra uma comissão burocrática que deveria aprovar ou não a tese para a defesa, teve a tensão de melhora para a entrega para os membros da banca, agora teve a tensão da revisão para entregar para a biblioteca (e a agonia de ver as merdas que eu escrevi, e os erros que passaram, as partes repetidas, porque não deu tempo de revisar com revisor) e aí tem a tensão da defesa. Aí eu fico livre. Pensando bem, a defesa é o de menos. Porque ninguém é reprovado em defesa. A não ser que cuspa na banca, tenha comprovadamente copiado a tese ou xingue a mãe dos caras. Podem te esculachar, mas sairei doutora dia 28 de maio. É a única coisa que me mantém de pé. Depois disso, só Deus sabe. Acho que nem Ele.
Sinceramente eu não quero mais essa vida. Mas pode ser que seja apenas cansaço, mas temo que seja uma crise irreversível. Tenho pensado em coisas como casar e ter filhos (nessa ordem), me internar num mosteiro budista, ir lutar pela libertação do Tibet ou rezando para que eu me torne uma escritora antes de dar um tiro na cabeça por pensar que eu vou passar a minha vida lidando com prazos, projetos e editais e planejamentos. Estou cansada de viver com a corda no pescoço. Com uma foice pairando sob a minha garganta. A vida sob um deadline não é legal. Mas, ao mesmo tempo eu me pergunto...tem como escapar disso? Num mosteiro, talvez.
Mas pode ser só cansaço. Sabem como é. Sou uma pessoa volúvel e mudo de opinião com muita facilidade.
Aí só fui dormir a uma da madrugada de ontem. Dormi até 11 da manhã, almocei, dormi mais um pouco. Dormi tanto que acordei com dor na lombar e dor de cabeça.
Compensa? Não, não compensa.
Por mais que o tempo passe, o tempo voe, tudo mude, a gente de acostume, eu realmente ainda me espanto com algumas coisas. Por exemplo, a Sandra Anemberg. Eu entendo que o jornal da uma deve ser descontraído, para um público amplo, de donas de casa, a crianças recém saídas da escola, mas nada justifica o comportamento daquela jovem senhora. Nada.
Nem vou entrar numas de objetividade, neutralidade, porque nunca acreditei nisso, nem quando eu fazia faculdade de jornalismo (aliás, principalmente naquela época). Mas...sério caras, é constrangedor. As piadinhas, as caras. O semblante agora-vamos-falar-sério quando a notícia é um pouco mais pesada. Ela leva tudo muito a sério. É! Acho que esse é o maior problema dela: ela leva a descontração a sério. Ela quer ser a mais descontraída ever. U-hu!. Pura descontração.
E o Evaristo...eu tenho pena do Evaristo. Sério. Acho que vou criar uma comunidade no orkut “eu tenho pena do Evaristo” – que estará relacionada àquela “Capitão Nascimento”, cuja foto é o Carlos Nascimento com a boinazinha do Bope. Porque o Nascimento ainda impunha respeito. Era um contraste. Era hilário quando ele, cutucado pela Sandra, soltava frases do tipo “é, eu surfo”, mas o Evaristo fica apenas sem graça. Ele tenta, mas...convenhamos, ninguém, fora a Sandra Anemberg, acha graça nas piadinhas dela. Aí dá uma pena, gente. Eu morro de vergonha por ele. Sério.
A única pessoa que eu conheço que gosta da Sandra Anemberg é o meu primo Juninho. Meu primo Juninho diz que a Sandra Anemberg bota emoção nas coisas, se envolve com as notícias. Mas o meu primo Juninho, como todo mundo sabe, é doido. Mas, com certeza, assim como ele, outras pessoas devem gostar da Sandra. Claro.
Mas o jornalista que eu mais gosto, que eu mais me divirto é o William Waack, do Jornal da Noite. Aquelas olheiras monstruosas que insistem em aparecer mesmo com quilos de corretivo e base, aquele semblante mórbido e obscuro; aquela cara cinza, contrastando com o cabelo branco, de poucos amigos, de locutor do canal da família Adams é simplesmente perfeita. Aquela cara de o-que-eu-estou-fazendo-aqui e por-que-não-tô-em-casa-de-pijama-de-zebrinha-tomando-leite-com-biscoitos...muito bom. A notícia mais alegre do mundo, e quando corta pra ele, eis que, depois de muito esforço, ele faz que nem a Wednesday quando tenta sorrir e levanta levemente o lábio superior. Na maioria das vezes quando volta pra ele tá aquela cara de enterro, de podia-ser-pior ou eu-poderia-estar-roubando-poderia-estar-matando-mas-estou-aqui-humildemente-fazendo-o-meu-trabalho.
Esse sábado eu fui à missa – oqueeei, vocês precisam de alguns segundos para absorver essa estranha informação, tudo bem, eu dou esse tempo....pronto? – eis que, de repente, junto com a galerinha que entra com o padre (eu não sei como é nas outras comunidades, mas a igreja – católica - que os meus pais sempre freqüentaram aqui, tem uma forte tradição da comunidade ajudar muito, participar muito dos ritos todos) estava um dos meus professores de matemática do terceiro ano. Ele dava matemática I ou IV, sei lá. Foi o professor de matemática mais perturbado que eu tive na vida numa longa linhagem de professores de matemática doidos. Não me perguntem que matemática ele dava, mas era aquela de equações, eu acho. Sem ser Geometria. Eu sei que ele fazia versinhos com as equações. Do tipo (ah, meu Deus, eu mal faço conta, não vou conseguir lembrar de nada) 2a + 3b, como eu gosto de você! Ou 3b + 2a venha logo para cá. Além disso ele sempre foi meio trêmulo e molengo. E tinha umas sombrancelhas espessas. E era meio lerdo ao mesmo tempo que tinha uns gestos bruscos, levantava a perna lá no alto. Falava sozinho.
Mas enfim. Sei que ta lá o meu professor de matemática no altar. E eu pensando: ele vai levantar e dar uma pirueta que nem ele fazia na sala de aula, ou fazer um versinho envolvendo os nomes dos apóstolos. Lá pelas tantas ele se levanta. Pensei é agora!. O padre só deu uma olhada de leve pra ele e ele sentou de novo. Tinha errado! Não era a deixa dele. Passado um pouco ele levantou de novo. Aí era realmente a hora dele fazer a leitura lá na frente. Infelizmente não fez nenhum versinho.
Depois as pessoas ainda se surpreendem quando eu conto que eu tenho pesadelos que fiquei reprovada em matemática e vou ter que voltar pro colégio, não vou poder defender a tese... Até hoje eu não entendo porque eu nunca peguei recuperação em matemática. Acho que desenvolvi algum mecanismo pra aprender a matéria por tempo suficiente para apenas passar nas provas e outro mecanismo de bloqueio. Vocês sabem, a mente, após sofrer um trauma muito grande, desenvolve métodos de autopreservação.



















